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Moraes determina prisão definitiva de sete integrantes do ‘núcleo 3’, composto pelos ‘kids pretos’
Moraes determina prisão definitiva de sete integrantes do ‘núcleo 3’, composto pelos ‘kids pretos’
Grupo de militares e um agente da PF foi condenado por planejar o sequestro e o assassinato de Lula, Alckmin e do próprio ministro do STF
Por Pedro Penteado/Estadão
13/03/2026 às 21:45
Foto: Luiz Silveira/STF/Arquivo
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira, 13, a prisão definitiva dos sete condenados do chamado “núcleo 3” da trama golpista que tentou manter Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas eleições de 2022.
O grupo, formado por militares conhecidos como “kids pretos” e um agente da Polícia Federal, foi condenado por planejar o sequestro e o assassinato do próprio Moraes, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão ocorreu após o trânsito em julgado do processo, com o esgotamento de todos os recursos cabíveis. No dia 25 do mês passado, a Primeira Turma do STF manteve, por unanimidade, as penas de todos os sete condenados do grupo.
Com a publicação do acórdão nesta semana, o ministro expediu os mandados de prisão, todos já cumpridos e comunicados ao tribunal.
Os militares foram encaminhados a prisões do Exército. Três réus que ainda estavam em liberdade foram detidos. O coronel Bernardo Romão Correa Netto foi levado ao Batalhão de Polícia do Exército, em Brasília. O coronel Fabrício Moreira de Bastos foi recolhido ao 22º Batalhão do Exército, em Palmas. O tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros foi conduzido ao 1º Batalhão do Exército, no Rio de Janeiro.
Os demais já se encontravam presos preventivamente e passaram a cumprir a pena definitiva em regime fechado.
As penas dos sete condenados são:
- Hélio Ferreira Lima (tenente-coronel), pena de 24 anos;
- Rafael Martins de Oliveira (tenente-coronel), pena 21 anos;
- Rodrigo Bezerra de Azevedo (tenente-coronel), pena de 21 anos;
- Wladimir Matos Soares (agente da PF), pena de 21 anos;
- Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel), pena de 17 anos;
- Bernardo Romão Correa Netto (coronel), pena de17 anos;
- Fabrício Moreira de Bastos (coronel), pena de 16 anos.
Plano para “matar meio mundo”
A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que o núcleo 3 foi responsável pelas “ações mais severas e violentas” da organização criminosa, incluindo o plano para assassinar autoridades.
No celular do agente Wladimir Matos Soares, investigadores encontraram mensagem afirmando que havia um plano para “matar meio mundo” para garantir a permanência de Bolsonaro no poder.
Segundo Moraes, os militares também planejaram pressionar o Alto Comando do Exército a aderir ao golpe. Trocas de mensagens e outras provas levantadas ao longo da investigação mostraram que os “kids pretos” organizaram uma reunião em novembro de 2022 para tratar de uma carta aos generais, documento que buscava pressionar a cúpula do Exército a romper com a ordem constitucional.
Embargos rejeitados
Antes da execução das penas, sete dos réus apresentaram embargos de declaração (pedidos de esclarecimento sobre pontos das conclusões dos ministros), questionando a efetiva participação do grupo nas irregularidades e a aplicação das penas. Moraes rejeitou todos os pedidos.
O ministro argumentou que “cabem embargos de declaração quando houver no acórdão obscuridade, dúvida, contradição ou omissão que devam ser sanadas” e que “não se verifica no acórdão embargado qualquer dessas hipóteses”.
Na decisão, o relator reafirmou que o julgamento “reconheceu de maneira fundamentada a existência de uma organização criminosa armada, liderada por Jair Messias Bolsonaro”, que atuou de julho de 2021 até 8 de janeiro de 2023, com o objetivo de “impedir e restringir o pleno exercício dos poderes constituídos” e “impedir a posse ou depor o governo legitimamente eleito em outubro de 2022”. Os demais ministros da Primeira Turma acompanharam o relator por unanimidade.
Dois militares não perdem a patente
Outros dois integrantes do núcleo, o tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Jr. e o coronel Márcio Nunes de Resende Jr., fecharam acordos de não persecução penal e receberam penas menores, a serem cumpridas em regime aberto.
Por terem sido condenados a menos de quatro anos de prisão, eles não devem ser alvo de processo na Justiça Militar para a perda da patente.
