Mercado informal de frete gera sonegação de R$ 32 bilhões por ano no Brasil
Por Alex Sabino, Folhapress
10/03/2026 às 16:00
Atualizado em 10/03/2026 às 15:59
Foto: Divulgação/Arquivo
Reforma tributária pode apertar cerco contra fluxo informal de dinheiro no setor
O mercado informal de transporte rodoviário de carga representa cerca de 43% do total brasileiro e gera sonegação tributária de R$ 32 bilhões anuais, considerando tributos federais, estaduais, municipais e contribuições previdenciárias.
Os números são do estudo "Impactos Econômicos e Fiscais da Informalidade no Pagamento do Frete no Brasil", produzido pela GO Associados e solicitado pela Ampef (Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete).
A pesquisa aponta que o mercado total de transporte rodoviário de carga é estimado em R$ 818 bilhões no Brasil, composto por R$ 466,9 bilhões no segmento formal e R$ 341,8 bilhões no segmento informal.
A estimativa de sonegação foi aferida a partir das informações de consumo de diesel e do faturamento declarado à Receita Federal.
O modal rodoviário representa mais da metade do transporte de cargas no Brasil, segundo levantamento da consultoria Ilos. A formalização da ocupação dos caminhoneiros é um fenômeno relativamente recente, o que ajuda a explicar a existência de um mercado paralelo: alta demanda e ainda baixa infraestrutura.
O uso da carta-frete é o "maior gargalo" no transporte rodoviário para a Ampef, solicitante do estudo. Tradicionalmente, empresas transportadoras emitem uma espécie de nota promissória para que motoristas paguem pelas despesas da viagem, como combustível e alimentação. Parte do valor é paga ao motorista como um adiantamento e o total é creditado na entrega final.
A forma de pagamento estimula circuitos informais do dinheiro, segundo a Ampef, associação que reúne empresas oferecendo soluções eletrônicas de pagamento de frete.
O estudo aponta a reforma tributária como um possível aperto contra o fluxo informal de dinheiro e a sonegação.
