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Lula vai nomear Bruno Moretti como ministro do Planejamento para assumir o lugar de Tebet

Lula vai nomear Bruno Moretti como ministro do Planejamento para assumir o lugar de Tebet

Técnico é atual chefe da Secretaria Especial de Análise Governamental da Casa Civil

Por Idiana Tomazelli/Catia Seabra/Folhapress

11/03/2026 às 20:00

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Lula vai nomear Bruno Moretti como ministro do Planejamento para assumir o lugar de Tebet

O secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, Bruno Moretti

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai nomear Bruno Moretti como ministro do Planejamento no lugar de Simone Tebet, segundo interlocutores do chefe do Executivo ouvidos pelo jornal Folha de São Paulo. 

Atualmente, Moretti é secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil e participa diretamente das discussões sobre medidas fiscais e Orçamento. Também auxilia na formulação e análise de atos e programas de governo.

Integrantes da Casa Civil despacham do Palácio do Planalto e costumam ter contato direto com o presidente da República. Segundo um ministro ouvido pela reportagem, Moretti tem o apreço e a confiança de Lula, com quem o técnico despacha sobre diferentes assuntos.

O presidente inclusive cogitou outras opções para a sucessão no Planejamento, justamente por julgar a permanência de Moretti em seu atual posto importante para o funcionamento do governo.

O desenho que era avaliado anteriormente previa a fusão do Planejamento com o Ministério da Gestão, comandado por Esther Dweck, outro nome da confiança de Lula. No entanto, prevaleceu a avaliação de que esse seria um movimento delicado, pois exigiria esforço de articulação no Congresso Nacional num momento conturbado da relação com o Legislativo.

A criação, fusão ou extinção de ministérios depende de mudança legal. O presidente até pode adotar a medida de forma imediata, por meio da edição de uma MP (medida provisória), mas ainda assim o texto precisa ser validado pelo Congresso em até 120 dias.

Moretti é servidor da carreira de planejamento e orçamento do Ministério do Planejamento desde 2004. Já ocupou diferentes funções de direção e assessoramento e, antes de ser nomeado para o comando da SAG na atual gestão, participou das discussões técnicas da PEC (proposta de emenda à Constituição) aprovada na transição de governo, em 2022.

No atual mandato de Lula, também acompanhou as negociações das principais medidas de contenção de gastos e de aumento de receitas apresentadas pelo Executivo.

Ele é formado em Ciências Econômicas pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e tem mestrado em economia da indústria e da tecnologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Também fez doutorado em Sociologia pela UnB (Universidade de Brasília).

Atual chefe do Planejamento, Tebet deixará o cargo até 30 de março para disputar as eleições deste ano.

A ministra negocia uma mudança de domicílio eleitoral do Mato Grosso do Sul para São Paulo, onde deve ser candidata a senadora na aliança de Lula.

Ela provavelmente terá de mudar de partido para poder apoiar o petista em solo paulista. O MDB, sigla à qual é filiada, apoia o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Outra ala do partido, porém, defende aliança nacional com a chapa de Lula.

A debandada de ministros em ano eleitoral é comum porque só pode se candidatar quem se desincompatibilizar do primeiro escalão ao menos seis meses antes da eleição. Uma ordem de Lula, porém, deu mais peso ao movimento.

O presidente quer ter o maior número de aliados em candidaturas fortes nos estados. Eles terão tanto a função de fazer campanha pela reeleição de Lula em suas bases eleitorais quanto a de eleger senadores, um dos grandes objetivos do partido.

Lula pediu que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, seja candidata ao Senado. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, também deve sair até abril, assim como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad –que deve disputar o Governo de São Paulo.

Na Fazenda, Haddad já indicou que seu sucessor deve ser o atual secretário-executivo, Dario Durigan. Considerado uma espécie de "CEO" do ministério, é ele quem já toca boa parte das tarefas do dia a dia. Durigan também tem a confiança de Lula e, por vezes, despacha direto com o presidente.

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