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Flávio Bolsonaro se reúne com presidente do Republicanos por apoio do centrão, mas partido resiste

Flávio Bolsonaro se reúne com presidente do Republicanos por apoio do centrão, mas partido resiste

Por Augusto Tenório, Raphael Di Cunto e Laura Scofield / Folha de São Paulo

26/03/2026 às 12:44

Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado/Arquivo

Imagem de Flávio Bolsonaro se reúne com presidente do Republicanos por apoio do centrão, mas partido resiste

Marcos Pereira

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se reuniu pela primeira vez, há 15 dias, com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, em busca de apoio para sua candidatura presidencial. A conversa, no entanto, não foi positiva. Há arestas entre os partidos e a tendência hoje é que a sigla fique neutra na eleição, sem declarar apoio a nenhum candidato no primeiro turno.

Segundo integrantes do Republicanos ouvidos pela Folha sob reserva, o diálogo entre Pereira e Flávio não foi bom. Não houve clima nem sequer para discutir a entrada formal do partido no palanque do pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto. O deputado e o senador nunca foram próximos.

O encontro ocorreu após Pereira se queixar publicamente de que não tinha sido procurado por Flávio desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o escolheu como pré-candidato em dezembro. Além disso, reclamou da tentativa do PL de filiar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de não ouvir o Republicanos na composição das chapas, como a do Rio de Janeiro.

"Eu não vou dizer que foi um erro, mas é o estilo deles. Foi, poderia dizer, talvez falta de habilidade. Cada um toma a decisão. Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação", afirmou o presidente do Republicanos à Folha no fim de fevereiro.

A decisão de lançar Flávio como candidato sem consultar os demais partidos de direita e centro-direita era outra queixa de Pereira e de dirigentes de partidos do centrão.

"Eu recebi um telefonema do Flávio no dia seguinte que ele anunciou [a candidatura presidencial], convidando para um jantar com os demais presidentes. Eu não pude ir. Quando eu cheguei, eu mandei mensagem, ‘já cheguei em Brasília, estou à disposição’, até hoje não recebi resposta", contou o presidente do Republicanos na mesma entrevista.

Os partidos tiveram uma contenda pública no fim do ano passado, quando o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), cobrou que Tarcísio mudasse de partido. Pereira respondeu publicamente em janeiro. "Diferentemente de outros partidos, nunca constrangemos o governador, nunca o expusemos publicamente. (...) Nossa atuação sempre foi de lealdade, responsabilidade e estabilidade política — na Alesp e no Congresso Nacional."

Embora refute participação no governo Lula (PT), o Republicanos tem como representante o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, que é deputado federal licenciado e vai deixar o cargo até 4 de abril para disputar a reeleição. Ele deve ser substituído pelo secretário-executivo, Tomé Monteiro da Franca, que também é próximo da cúpula do partido.

Pereira ainda recebeu um convite do presidente do PT, Edinho Silva, para uma conversa e ambos devem se encontrar logo após o fim da janela partidária, que termina em 4 de abril. Apesar disso, segue improvável uma coligação entre os dois partidos, mas a neutralidade já ajudaria Lula a enfraquecer a candidatura de Flávio.

Essa é a tendência atual, segundo Pereira tem dito a aliados. O partido deve liberar os diretórios estaduais para que façam campanha para quem quiserem, de modo a evitar um conflito entre as alas mais próximas ao PT e as mais conservadoras. A decisão só será tomada em julho, nas convenções.

O Republicanos tem uma ala mais à direita, liderada por figuras como os senadores Damares Alves (DF) e Hamilton Mourão (RS). Ambos tiveram papel de destaque no governo Bolsonaro. Ela como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e ele na vice-presidência da República.

Por outro lado, a legenda tem um grupo mais lulista, concentrado principalmente no Nordeste. Para essa ala, qualquer associação a Flávio Bolsonaro pode representar uma dificuldade na eleição, num momento em que a sigla se concentra em eleger o maior número de deputados e senadores.

Um dos integrantes deste grupo é o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB), que tem se aproximado cada vez mais de Lula em busca de apoio para eleger seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), para o Senado na Paraíba –estado onde o petista venceu por larga margem a eleição de 2022 contra Bolsonaro.

A tentativa de aproximação de Flávio com o Republicanos, com uma primeira conversa, demonstra um interesse do PL em atrair partidos do centrão para sua chapa. Isso significaria ter mais tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio. Essas legendas, no entanto, resistem à aproximação imediata e pretendem tratar do assunto só mais a frente.

As siglas com mais chance de adesão formal à campanha bolsonarista são o PP de Ciro Nogueira e o União Brasil de Antônio Rueda –que são também alvo das principais investidas de Flávio neste início de pré-campanha.

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