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Fiscalização aponta que Vibra elevou preço do diesel 35 vezes acima do custo

Fiscalização aponta que Vibra elevou preço do diesel 35 vezes acima do custo

Empresa diz que análises 'não refletem integralmente a formação de preços'

Por André Borges/Folhapress

24/03/2026 às 21:45

Foto: Camila Picolo/Divulgação

Imagem de Fiscalização aponta que Vibra elevou preço do diesel 35 vezes acima do custo

Vibra Energia, ex-BR Distribuidora, está entre as 11 distribuidoras alvos de fiscalização da ANP e Senacon

A Vibra Energia, antiga BR Distribuidora e ex-controlada da Petrobras, foi autuada pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) após elevar o preço do diesel em cerca de R$ 1,06 por litro, enquanto seu custo subiu R$ 0,03 no período. A diferença, de cerca de 35 vezes, foi considerada um forte indício de prática abusiva. A empresa nega irregularidades.

A reportagem teve acesso ao auto de infração que foi aplicado contra a distribuidora, a maior do país, com participação próxima de 22% do mercado e presença em milhares de postos em todo o território nacional.

Os dados da autuação mostram que a empresa comprou diesel por cerca de R$ 4,81 por litro no fim de fevereiro e passou a pagar cerca de R$ 4,84 em meados de março. No entanto, ao vender esse mesmo produto, o preço saiu de cerca de R$ 5,38 para R$ 6,45 por litro.

Em nota, a Vibra afirma que "os preços no setor de combustíveis são resultado de uma dinâmica influenciada por múltiplos fatores, como diferentes fontes de suprimento, incluindo importações, custos logísticos, variações cambiais e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência".

"A companhia ressalta que análises que consideram apenas uma parcela desses componentes não refletem integralmente a formação de preços, especialmente em um contexto de volatilidade internacional", disse. "A Vibra reitera que preza pelas melhores práticas comerciais e atua em conformidade com a regulação, com compromisso com a transparência, o abastecimento e o respeito ao consumidor."

A autuação ocorrida na quinta-feira (19) foi resultado de uma operação conjunta da ANP, da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) e da Polícia Federal. A fiscalização analisou notas fiscais de compra e venda de combustíveis entre os dias 27 de fevereiro e 19 de março e concluiu que houve um "descolamento significativo" entre custo e preço.

A base fiscalizada foi uma unidade de distribuição da Vibra Energia localizada no bairro Cidade Nova Heliópolis, em São Paulo. A instalação é responsável por receber, armazenar e revender grandes volumes de combustível e movimenta cerca de 120 milhões de litros por mês. A estrutura opera com abastecimento feito tanto por dutos quanto por transporte rodoviário.

Os dados levantados mostram o que motivou a autuação. No diesel S10, principal produto analisado, o custo da empresa subiu cerca de 0,6%, enquanto o preço de venda praticado por ela avançou quase 20%.

Já no diesel S500, a situação foi considerada ainda mais evidente pelos fiscais. O custo para a Vibra permaneceu praticamente inalterado no período analisado, mas o preço subiu cerca de R$ 0,67 por litro.

Em ambos os casos, os fiscais apontaram que o aumento não poderia ser explicado por variações reais de custo, o que pode caracterizar elevação abusiva de preços.

A infração foi enquadrada na lei que regula as atividades do setor de combustíveis e prevê punição para elevação abusiva de preços. Apesar disso, ainda não há multa definida. A Vibra terá prazo de 15 dias para apresentar defesa administrativa antes de eventual decisão final, que poderá aplicar penalidade à empresa.

A Vibra faz parte de uma lista de 11 distribuidoras responsáveis por mais de 60% do mercado e que foram notificadas a apresentar informações detalhadas sobre custos, reajustes e os preços praticados.

Na quinta-feira (19), a Senacon havia dado prazo inicial de 48 horas para resposta, prazo que foi ampliado para cinco dias corridos após pedidos de empresas. Algumas companhias, como a Ipiranga, chegaram a pedir prazos maiores, de até 15 dias, alegando complexidade operacional e grande volume de dados.

Na sexta-feira (20), o presidente da Vibra, Ernesto Pousada, disse que a empresa dobrou sua importação de diesel para abril e não deixará faltar produto em sua rede de postos com bandeira Petrobras.

A afirmação veio após o sindicato que representa as três distribuidoras nacionais Vibra, Raízen e Ipiranga ter apontado riscos ao abastecimento nacional, em carta enviada ao governo e à reguladora ANP pedindo que a Petrobras retomasse leilões, em meio a um cenário indefinido de estoques e prazo curto para importações.

Nesta terça-feira (24), o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs um subsídio extra de R$ 1,20 por litro na importação de diesel, a ser custeado pela União e pelos estados, por um período de dois meses.

Trata-se de uma alternativa à ideia de zerar as alíquotas de ICMS, imposto estadual, sobre a importação do combustível, apresentada pelo Ministério da Fazenda na semana passada e rejeitada pela maior parte dos estados.

Se implementada, será um benefício extra em relação ao que foi anunciado em 12 de março, quando o governo anunciou a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio de R$ 0,32 por litro na venda de diesel importado ou doméstico, pago com recursos da União. Na prática, o subsídio final ficaria em R$ 1,52 por litro, além da desoneração de tributos federais.

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