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Empresariado baiano se mobiliza em debate sobre mudanças na escala 6x1

Empresariado baiano se mobiliza em debate sobre mudanças na escala 6x1

Reunião liderada pela ACB reuniu representantes do setor produtivo que alertam para impactos econômicos e aumento de custos caso a proposta avance

Por Redação

16/03/2026 às 21:25

Foto: Divulgação

Imagem de Empresariado baiano se mobiliza em debate sobre mudanças na escala 6x1

Reunião na Associação Comercial da Bahia discute proposta de mudança na escala de trabalho 6x1

A proposta de mudança na escala de trabalho 6x1, que vem ganhando espaço no debate nacional, provocou uma reação do setor produtivo baiano. Nesta segunda-feira (16), a Associação Comercial da Bahia (ACB) reuniu representantes de diferentes segmentos empresariais para discutir os impactos da medida e reforçar a mobilização do empresariado contra alterações que, na avaliação das entidades, podem comprometer a competitividade das empresas e a geração de empregos.

Participaram do encontro representantes da Fieb, Faeb, Fecomércio-BA, Sindilojas, Abrasce e Abrasel-BA. A reunião marcou mais um movimento de articulação do empresariado para ampliar o debate sobre os efeitos econômicos da proposta, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra, como comércio, serviços, turismo e alimentação.

Para os participantes do encontro, a discussão não deve ser restrita aos empresários. Se o custo de operação do setor produtivo aumenta, acaba sendo repassado para o preço final, que vai impactar no bolso do consumidor. Se as empresas não conseguirem absorver os efeitos da mudança de jornada, isso pode levar à redução de contratações e ao aumento do desemprego. Para a diretoria da ACB, a preocupação não é apenas com os empresários, mas também com os trabalhadores e com as consequências da mudança de jornada sobre a economia real.

À frente da mobilização, a presidente da ACB, Isabela Suarez, destacou que o empresariado precisa assumir um papel mais ativo nas discussões que impactam diretamente a dinâmica da economia e o ambiente de negócios. Segundo ela, o debate sobre mudanças na jornada de trabalho precisa considerar a realidade das empresas brasileiras e a importância do setor produtivo na geração de empregos.

“O Brasil olha pouco para quem gera 80% dos empregos. As autoridades ainda não estão atentas à força do comércio e do setor de serviços na economia. Quando se discute mudanças dessa natureza sem ouvir quem está na ponta, corre-se o risco de criar distorções que acabam impactando diretamente o emprego, os custos das empresas e o funcionamento de cadeias produtivas inteiras”, afirmou.

Para o presidente do Conselho Superior da ACB, Paulo Cavalcanti, a reação do empresariado reflete a necessidade de fortalecer o associativismo e ampliar a participação da sociedade civil organizada nos debates institucionais que mexem na atividade econômica. “Esse é um tema que afeta diretamente quem produz, investe e gera empregos. O associativismo existe justamente para reunir forças e garantir que o setor produtivo participe das grandes discussões que influenciam o futuro da economia”, afirmou.

Entre os segmentos mais preocupados com os efeitos da proposta estão bares e restaurantes, que operam com jornadas intensivas e grande dependência de equipes distribuídas ao longo da semana. Luiz Henrique do Amaral, conselheiro consultivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-Ba), destacou a dimensão da medida para o segmento. “No nosso setor, a estimativa é de um impacto direto de cerca de 20% nos custos operacionais, com impacto estimado de 7% a 8% nos preços ao consumidor. Por isso, é fundamental que esse debate seja feito com responsabilidade e com a participação de quem vive a realidade das empresas. A união das forças produtivas proposta pela ACB é fundamental para defender que o tema seja analisado com base nos custos econômicos e na capacidade da sociedade de absorvê-los. E não apenas como um movimento eleitoreiro como tem sido tratado.”, afirmou o dirigente.

O empresário Ademar Lemos Passos, do restaurante Chez Bernard e associado à Abrasel, ressaltou que a iniciativa da ACB ajuda a trazer o debate para um campo mais amplo. “Essa iniciativa vem alertar para a necessidade de discutir com mais profundidade as consequências desse tema. É um debate que precisa considerar a realidade de setores que funcionam todos os dias e que dependem de escalas de trabalho para manter suas operações”, completou.

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