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Custo da redução de jornada não pode virar neura, diz ministro de Lula, que descarta compensação

Custo da redução de jornada não pode virar neura, diz ministro de Lula, que descarta compensação

Comissão de Constituição e Justiça teve a primeira audiência sobre a mudança na jornada; governo defende redução para 40 horas

Por Fernanda Brigatti/Folhapress

10/03/2026 às 19:50

Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados

Imagem de Custo da redução de jornada não pode virar neura, diz ministro de Lula, que descarta compensação

Reunião da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara sobre a jornada 6x1 nesta terça (10)

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse nesta terça-feira (10) que os custos de uma redução na jornada semanal máxima de trabalho não podem criar "uma neura" que torne proibitiva a busca por um ponto de equilíbrio.

Ele participou da primeira reunião da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) desde que as PECs (propostas de emenda à Constituição) que tratam da jornada foram encaminhadas ao colegiado e o relator, deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), foi escolhido para a função.

Marinho defendeu que a posição do governo Lula (PT) é a de uma redução das atuais 44 horas para 40 horas semanais e que isso seja feito sem qualquer tipo de compensação. "A posição do governo hoje é não falar em compensação", disse.

Para o titular do Trabalho e Emprego, a produtividade crescerá com a alteração. A transição da reforma tributária, que começa no próximo ano, também deverá ter efeitos positivos sobre a economia.

A pasta de Marinho levou à CCJ dados extraídos do eSocial, sistema de escrituração de dados trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores formais, para defender que a jornada 5x2 é a regra entre os celetistas.

Segundo a subsecretária de estatísticas e estudos do trabalho, Paula Montagner, 29,7 milhões de trabalhadores formais já trabalham cinco dias com dois de descanso semanalmente. A escala 6x1 seria, portanto, disse ela, uma exceção que atinge 33,2% dos celetistas, o equivalente a 14,8 milhões de pessoas.

A jornada com apenas um dia de folga na semana, segundo os dados do Ministério do Trabalho e Emprego, está mais concentrada nas micro e pequenas empresas (35%), grandes empresas (33,7%) e no setor agropecuário (35,4%). Entre as pessoas físicas, o que pega principalmente trabalhadores domésticos, a concentração da 6x1 é de 3%.

O aumento de custo direto sobre a massa de rendimentos deve ser de 4,7%, segundo os cálculos do governo. Paula disse que o levantamento aponta para uma oscilação entre os dados separados por segmentos. Nos setores de alimentos e aquaviário, o aumento de custos seria de 10,5%. Para a subsecretaria, os dados permitem concluir que a redução na jornada demandará ajustes, mas não haverá choque nos setores econômicos.

Luiz Marinho defendeu a criação de uma mesa de negociação envolvendo institutos de pesquisa como IBGE e Ipea para que se demonstre que "quando você calcula tudo, não é esse impacto que estão falando".

O ministro do Trabalho e Emprego disse também que, apesar de o governo defender que a redução neste momento seja para 40 horas, não há qualquer oposição à Câmara avaliar uma transição alongada para 36 horas. A redução maior é defendida por bancadas como a do Psol e foi historicamente uma bandeira das centrais sindicais.

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Marinho disse que os sindicatos perderam uma oportunidade de aprovar a redução da jornada para 40 horas, em 2019, por terem sido intransigentes na defesa de que o teto de horas passasse a 36 horas.

O presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), Antonio Neto, rebateu à coluna Painel a crítica feita por Marinho. "Discordo do ministro Marinho, essa conta não é das Centrais Sindicais. Não chegamos a um acordo por causa de uma Central que foi para o tudo ou nada em duas oportunidades e perdemos essa redução de jornada negociada", disse.

A CCJ ainda deve realizar ao menos outras três audiências antes de colocar as PECs em votação. Além do ministro do Trabalho e Emprego, o titular da Fazenda é esperado no colegiado. Fernando Haddad confirmou nesta terça que deixará a pasta para concorrer ao governo de São Paulo. O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, deverá ser o substituto.

Representantes de trabalhadores e do empresariado também deverão ser ouvidos na CCJ. A participação de especialistas deverá ficar para a comissão especial.

O governo mobilizou uma tropa de choque para a primeira reunião da CCJ sobre o tema. Ao menos dez parlamentares da base usaram o tempo dedicado às perguntas para defender a redução para 40 horas e cobrar que o trâmite das PECs seja célere.

Formalmente, cabe à CCJ somente a análise da admissibilidade das propostas. O mérito deveria ficar apenas para a comissão especial. As duas PECs que estão na CCJ tratam da redução da jornada semanal para 36 horas. Uma alteração nesse limite ficaria para o relatório na comissão especial.

O governo Lula queria enviar um projeto de lei com urgência constitucional, que daria um trâmite expresso para a proposta. O envio das PECs à CCJ foi uma decisão do presidente da Câmara, deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), no que foi visto como uma tentativa de controlar o assunto, listado tanto por ele quanto pelo governo como uma prioridade para este ano eleitoral.

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