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Comissão de Ética abre processo para analisar denúncia contra Campos Neto no caso Master
Comissão de Ética abre processo para analisar denúncia contra Campos Neto no caso Master
Por Mônica Bergamo, Folhapress
19/03/2026 às 17:55
Atualizado em 19/03/2026 às 18:25
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil/Arquivo
O ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto na fiscalização do Banco Master
A Comissão de Ética Pública abriu um processo para analisar a admissibilidade de denúncia contra a suposta omissão do ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto na fiscalização do Banco Master.
O procedimento, que é sigiloso, tem como base representação feita pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) que cita o fato de o BC ter sido alertado oficialmente, por escrito, sobre os riscos da gestão da instituição, então sob o comando de Daniel Vorcaro.
"Conforme divulgado em reportagem de ampla circulação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) teriam encaminhado comunicação escrita ao Banco Central alertando sobre o aumento das vendas de CDBs arriscados promovidas pelo Banco Master", afirma o parlamentar.
"O dado possui especial relevância porque sugere a existência de ciência formal, objetiva e documentável, por parte da autoridade responsável pela supervisão prudencial, acerca da escalada do risco", segue ele.
"Essa representação é leviana e irresponsável. Minha defesa vai se manifestar nos autos, com fatos e dados, de modo a demonstrar que toda minha atuação no Banco Central foi seguindo a boa governança e critérios técnicos", diz Roberto Campos Neto, por meio de nota, à coluna.
A Comissão de Ética já havia recebido, em março, uma representação do mesmo deputado pedindo investigações.
A abertura do procedimento de admissibilidade é o primeiro passo para a abertura de um procedimento preliminar, que pode ser comparado a um inquérito na esfera judicial. Nele, o acusado tem o direito de uma primeira defesa, mais simples. Depois de analisar as imputações e as explicações, o relator do caso decide se arquiva a denúncia ou se submete um parecer pela abertura de um processo ao colegiado da comissão.
De acordo com Lindbergh Farias, o comunicado enviado ao BC abre "a hipótese de que a alta administração do Banco Central, sob a presidência de Roberto Campos Neto, tenha sido formalmente advertida por escrito por instituições centrais do próprio sistema financeiro e, mesmo assim, não tenha produzido reação institucional proporcional à gravidade do cenário".
"A origem dos alertas reforça essa gravidade, pois o FGC ocupa posição estratégica no arranjo institucional do sistema financeiro e é diretamente afetado por práticas que possam socializar perdas privadas. A Febraban, por sua vez, congrega instituições financeiras que acompanham com atenção a estabilidade prudencial do setor", diz ele.
"Quando entidades com esse nível de inserção institucional, em tese, formalizam advertência escrita ao Banco Central, o fato deve ser considerado como elemento apto a acionar deveres reforçados de cuidado, registro, análise e resposta por parte da alta administração."
A Comissão de Ética pode concluir pelo arquivamento ou pela censura do ex-funcionário do Estado. Ela é de natureza moral e política, e não tem consequência jurídica na vida da pessoa sancionada.
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