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CGU recebe resultado de investigação interna do BC sobre servidores envolvidos no caso Master

CGU recebe resultado de investigação interna do BC sobre servidores envolvidos no caso Master

Inquérito preliminar vai apurar se material justifica abertura de processo administrativo disciplinar

Por Nathalia Garcia/Folhapress

11/03/2026 às 21:45

Foto: Kenzo Suzuki/CGU

Imagem de CGU recebe resultado de investigação interna do BC sobre servidores envolvidos no caso Master

Fachada do prédio da CGU (Controladoria-Geral da União)

A CGU (Controladoria-Geral da União) recebeu na noite de terça-feira (10) o resultado da investigação interna conduzida pelo Banco Central sobre os dois servidores envolvidos no caso Master. Agora, será feito um inquérito preliminar para verificar se o material contém indícios que justifiquem a abertura de uma investigação no órgão.

Uma das possibilidades é a abertura de um PAD (processo administrativo disciplinar), que pode resultar até na exoneração de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Belline Santana, ex-chefe do departamento de Supervisão Bancária, se considerados culpados. Essa análise será feita pela Corregedoria-Geral da União.

Também pode ser aberto um PAR (processo administrativo de responsabilização) para responsabilizar o Banco Master pela corrupção de servidores públicos. Nesse caso, a apuração cabe à Secretaria de Integridade Privada. Todo o processo será mantido sob sigilo.

De acordo com a legislação, podem ser aplicadas às pessoas jurídicas sanções como multa no valor de 0,1% a 20% do faturamento bruto do último exercício antes da instauração do processo administrativo, excluídos os tributos. Caso não seja possível utilizar esse critério, a multa pode variar de R$ 6.000 a R$ 60 milhões. No caso do Master, precisa ser considerada a particularidade da liquidação do conglomerado.

A informação sobre o recebimento do relatório pela CGU foi antecipada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de São Paulo.

A sindicância do BC encontrou evidências de aumento patrimonial incompatível com os rendimentos de Paulo Sérgio e de Belline Santana. Esse foi o gatilho para a abertura da investigação interna no BC. A reportagem já apontava também a possibilidade de encaminhamento do caso para a CGU.

Em janeiro, data da última atualização no Portal da Transparência, o salário bruto de Santana foi de R$ 45.947,05 –quase o teto do funcionalismo público federal (R$ 46.366,19) – e o de Paulo Sérgio foi de R$ 38.929,20.

Procurados por telefone e mensagem via WhatsApp desde a última sexta-feira (6), Paulo Sérgio e Santana não responderam aos diversos contatos. A reportagem não localizou as defesas dos dois servidores.

As investigações do caso indicam que Vorcaro manteve interlocução direta e frequente com os dois servidores, discutindo temas relacionados à situação regulatória do Master e encaminhando documentos e minutas de normas do órgão regulador. Eles teriam alertado o ex-banqueiro sobre o monitoramento que o BC fazia sobre o banco.

No despacho de André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) são relatadas mensagens em que Vorcaro solicitava aos funcionários do BC orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, a elaboração de documentos e a abordagem de temas sensíveis.

A autoridade monetária disse ter identificado indícios de vantagens indevidas por parte da dupla. "De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal", afirmou em nota.

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