Bolsonaro está estável e tem melhora na função renal, diz boletim médico
Por Laura Scofield/Folhapress
15/03/2026 às 12:50
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil
Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) segue estável clinicamente e apresentou melhora na função renal, segundo boletim médico divulgado neste domingo (15) pelo hospital DF Star, onde ele está internado desde sexta-feira (13) para tratar uma pneumonia nos dois pulmões.
Apesar da melhora, os médicos relatam que os marcadores inflamatórios do sangue do ex-presidente estão elevados, o que levou à ampliação da cobertura de antibióticos.
Bolsonaro permanece na UTI do hospital DF Star para tratar um quadro de pneumonia bacteriana bilateral, causada por broncoaspiração, sem previsão de alta.
"[Bolsonaro] Evoluiu com estabilidade clínica e melhora da função renal, porém com nova elevação dos marcadores inflamatórios no sangue. Em decorrência destas alterações, houve necessidade de ampliar a cobertura dos antibióticos. Segue com suporte clínico intensivo e com intensificação da fisioterapia respiratória e motora", diz o boletim.
O ex-presidente foi encaminhado ao hospital após passar mal na Papudinha, onde está detido desde janeiro. Um relatório de acompanhamento feito na quinta-feira (12), véspera da transferência de Bolsonaro para o hospital, afirmou que ele estava em estado regular de saúde.
Às 6h45 de sexta, as equipes médicas foram acionadas por agentes porque Bolsonaro disse que passou a apresentar náuseas e tremores durante a madrugada. Ele estava com febre e calafrios.
Os médicos entenderam ser necessária a transferência imediata para o hospital. Segundo Flávio, "os policiais procederam como têm que proceder num caso de emergência".
O ex-presidente chegou ao DF Star com suporte de oxigênio nasal e foi submetido a tomografia e a exames laboratoriais.
Na noite do sábado (14), Carlos Bolsonaro, o segundo filho do ex-presidente, disse que visitou o pai e que seu quadro "continua grave, pois os antibióticos ainda não fizeram o efeito máximo". "De forma muito clara e visível, vê-se as agressões que seu organismo vem sofrendo e o quanto seu quadro tem se agravado", escreveu nas redes sociais.
De acordo com ele, o pai reclamou de febre e insistiu em falar de política e dos planos para as eleições deste ano. Carlos afirmou que voltará a visitar o pai neste domingo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) também é esperado no hospital ao longo do dia. No sábado, ele afirmou que a defesa do pai vai apresentar um novo pedido de prisão domiciliar.
"Os médicos me reafirmaram que, se tivesse demorado uma ou duas horas, podia ter realmente complicado, avançado para um quadro de infecção generalizada. O que reforça a importância de ele estar com um acompanhamento permanente, seja de familiares, seja de profissionais de saúde, 24 horas por dia. Isso é possível em casa", disse Flávio, após visitar o ex-presidente no hospital.
O ministro do Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), já negou outros pedidos de prisão domiciliar feitos pela defesa de Bolsonaro, sendo a última decisão do início de março. Moraes é o relator da ação sobre a trama golpista, pela qual o ex-presidente foi condenado.
De acordo com o magistrado, os problemas de saúde do ex-presidente podem ser monitorados e tratados no local onde ele está preso. A Papudinha dispõe de assistência médica 24 horas, unidade avançada do Samu e livre acesso para a equipe médica de Bolsonaro.
O ex-presidente tem sido acompanhado pela esposa Michelle Bolsonaro e pode receber visitas dos filhos e da enteada, que são os únicos autorizados por Moraes a encontrá-lo. Ainda assim, alguns parlamentares bolsonaristas tem ido ao hospital, de onde gravam vídeos e por vezes conversam com as equipes médicas.
