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BCs de Brasil e EUA decidem sobre juros nesta quarta com guerra no Irã em foco

BCs de Brasil e EUA decidem sobre juros nesta quarta com guerra no Irã em foco

Por Folha de São Paulo

18/03/2026 às 08:14

Foto: Lucio Tavora/Xinhua

Imagem de BCs de Brasil e EUA decidem sobre juros nesta quarta com guerra no Irã em foco

Sede do Banco Central, em Brasília

O Banco Central do Brasil e o Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) decidem nesta quarta-feira (18) sobre as taxas de juros dos dois países em meio às incertezas sobre os efeitos econômicos da guerra no Irã.

Hoje, a Selic (taxa básica de juros) está em 15% ao ano, enquanto o referencial dos EUA está na faixa de 3,5% e 3,75%. Nas reuniões de janeiro, ambas as autoridades monetárias decidiram manter as taxas inalteradas. As decisões devem sair no fim desta tarde.

Nesta chamada superquarta não há consenso do mercado em relação à decisão do Copom (Comitê de Política Monetária). Pesquisa da Bloomberg com 30 analistas indica que 19 deles preveem um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto outros dez apostam em uma queda de 0,5 ponto. Uma casa vê a manutenção da taxa em 15%.

Antes da intensificação do conflito no Irã, a previsão predominante era de uma redução de 0,5 ponto percentual.

A semana também foi marcada no Brasil pela maior intervenção do Tesouro Nacional em mais de uma década no mercado de títulos. Com novos leilões realizados nesta terça-feira (17), a atuação somou R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias.

As intervenções têm como objetivo conter a volatilidade no mercado de juros, que baliza a estimativa da trajetória futura da taxa básica de juros.

No mercado, porém, chamou a atenção o fato de a intervenção se dar em semana de decisão de juros. Habitualmente, o Tesouro evita interferir no mercado em um momento como este, para evitar a interpretação de que o governo tenta "quebrar o termômetro" dos juros, já que a recompra dos títulos tira pressão das taxas, que caem ou sobem menos.

Como a curva de juros é uma das referências das expectativas do mercado para o rumo da Selic, taxas mais elevadas poderiam indicar menor espaço para o Banco Central cortar juros, algo que iria de encontro ao desejo do governo neste momento.

As tensões no Oriente Médio têm afetado as previsões de política monetária dos bancos centrais. O principal risco econômico associado ao conflito é o aumento do preço do petróleo, cotado acima de US$ 100 desde quinta-feira (12), e a consequente pressão sobre a inflação, índice que baliza as decisões sobre juros.

O mercado já estima que o Fed manterá o patamar atual de juros até julho, apesar da pressão do presidente Donald Trump sobre a gestão de Jerome Powell à frente da instituição. Seu novo indicado, Kevin Warsh, ainda precisa ser sabatinado pelo Senado americano e pode assumir em meados de maio.

As chances de manutenção dos juros nos EUA na reunião desta quarta-feira são de 99,2%, segundo a ferramenta FedWatch.

Em relação ao Copom, a maior mudança veio da XP, que passou a prever a manutenção da taxa Selic em 15%, com expectativa de uma "abordagem mais cautelosa" pelo colegiado.

"O fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação", afirma a XP em nota assinada pelo economista-chefe, Caio Megale.

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