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Após três anos à frente da Casa Civil, Afonso Florence deixa o cargo e retorna à Câmara com legado de articulação e obras destravadas na Bahia
Após três anos à frente da Casa Civil, Afonso Florence deixa o cargo e retorna à Câmara com legado de articulação e obras destravadas na Bahia
Por Política Livre
26/03/2026 às 15:16
Foto: Divulgação/Arquivo
O deputado federal licenciado Afonso Florence (PT)
Depois de pouco mais de três anos ocupando um dos cargos mais estratégicos do governo da Bahia, o deputado federal licenciado Afonso Florence (PT) se despede da Casa Civil na terça-feira (31) para reassumir o mandato na Câmara dos Deputados. A saída ocorre dentro do prazo de desincompatibilização eleitoral previsto na legislação, movimento que reposiciona o parlamentar no cenário político nacional após um período de forte atuação no Executivo estadual.
Florence deixa a função com um conjunto de entregas que ajudam a explicar o ritmo de execução da gestão do governador Jerônimo Rodrigues. Ao longo desse período, consolidou-se como um dos principais articuladores do governo, responsável por coordenar a relação entre secretarias, destravar projetos e conduzir negociações sensíveis, muitas delas impactadas pela pandemia, que exigiram articulação política, segurança jurídica e capacidade de diálogo.
“Cumpri a missão que o governador Jerônimo me confiou. Fiz as entregas necessárias para melhorar a vida do povo baiano. Volto à Câmara para renovar esse mandato popular que construí com muita luta, para defender a democracia, os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e avançar em pautas importantes, como o fim da escala 6x1, além de novas lutas pelo desenvolvimento da Bahia e do Brasil”, afirmou.
Entre os projetos que simbolizam essa atuação está o VLT de Salvador. Após anos de incerteza, o empreendimento saiu do papel, teve o escopo ampliado até Piatã. A obra apresenta ritmo acelerado e já iniciou os testes no trecho entre Calçada e Lobato. Mais do que uma das maiores obras de mobilidade do país, o VLT representa um vetor de desenvolvimento para a capital, especialmente a região do subúrbio ferroviário. Afonso também atuou bem-sucedida compra dos trens do VLT do Mato Grosso.
Outro caso emblemático é o da Ponte Salvador–Itaparica. Considerada uma das obras mais complexas do país, o projeto exigiu uma repactuação delicada do contrato para se adequar ao novo cenário econômico. A Casa Civil, sob a gestão de Florence, teve papel central nesse processo, garantindo as condições para que o empreendimento avançasse. Com sondagens concluídas e início das obras previsto para junho, a ponte volta ao horizonte concreto da infraestrutura baiana.
No mesmo campo, a manutenção do contrato da nova Rodoviária de Salvador evitou rupturas em um serviço essencial e assegurou a continuidade de investimentos em um equipamento multimodal que figura entre os mais modernos do Brasil, pensado para integrar diferentes modais e melhorar a experiência de deslocamento de milhares de usuários diariamente.
Já no sistema metroviário, Afonso acompanhou entregas importantes, como as estações Campinas de Pirajá e Águas Claras/Cajazeiras, além de viabilizar a próxima expansão entre Lapa e Campo Grande. A obra já foi licitada e nos próximos dias será assinada a ordem de serviço, com a participação do presidente Lula.
Como secretário da Casa Civil, Afonso esteve à frente da articulação do Novo PAC na Bahia, participou diretamente da viabilização de investimentos em áreas como abastecimento de água, drenagem urbana, saúde, educação, encostas, saneamento e urbanização. Intervenções como as obras na Cidade Baixa, em Salvador, são exemplos desse esforço de ampliar a presença do Estado em regiões historicamente vulneráveis.
Na área social, contribuiu para a criação do programa Minha Casa Minha Vida – Bahia e o Bahia Sem Fome, além de iniciativas voltadas ao primeiro emprego, à convivência com o semiárido e ao apoio a catadores e catadoras de materiais recicláveis. Também teve atuação relevante no diálogo com povos e comunidades tradicionais, especialmente no oeste baiano, onde conflitos fundiários exigem mediação constante.
Internamente, deixou como uma de suas marcas a criação do Monitora Bahia, ferramenta que passou a organizar o acompanhamento de obras e programas prioritários, dando mais previsibilidade e controle à execução das políticas públicas.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que Florence imprimiu um perfil de gestão que combinou articulação política com foco em resultado, uma equação nem sempre simples em administrações públicas. Sua saída ocorre em um momento em que muitos dos projetos que ajudou a conduzir entram em fase decisiva.
De volta à Câmara, ele retoma o mandato em um cenário nacional ainda desafiador, com a intenção de atuar na defesa de direitos, no fortalecimento da democracia e na ampliação de investimentos para estados como a Bahia. A expectativa é de que leve para Brasília não apenas a experiência acumulada no Executivo, mas também o peso político de quem ajudou a destravar algumas das principais obras fundamentais para o desenvolvimento do estado.
