/

Home

/

Noticias

/

Economia

/

Perícia não encontra empresas apontadas pela Fictor como suas em pedido de recuperação judicial

Perícia não encontra empresas apontadas pela Fictor como suas em pedido de recuperação judicial

Advogados da empresa não responderam, e assessoria da empresa não foi localizada

Por Diego Felix/Folhapress

10/02/2026 às 21:45

Foto: Reprodução/Youtube

Imagem de Perícia não encontra empresas apontadas pela Fictor como suas em pedido de recuperação judicial

Fictor

O laudo emitido por uma consultoria no processo de recuperação judicial da Fictor apontou uma série de irregularidades e inatividades em diversos endereços de subsidiárias da companhia. O documento é considerado vital pela Justiça, pois vai determinar se somente a Fictor Holding e a Fictor Invest serão inseridas na reestruturação (como pede a empresa), ou se as subsidiárias também entrarão no plano.

O grupo Fictor alega que a entrada de subsidiárias como a Fictor Alimentos (empresa listada na B3), Fictor Real Estate e Fictor Energia pode inviabilizar a operação de todo o conglomerado. Essas empresas são apontadas pela holding como os principais motores de geração de caixa e possuem governança própria.

Os credores afirmam, no entanto, que o modelo de gerenciamento do grupo sinaliza desvio de finalidade, com confusão patrimonial e quase os mesmos diretores liderando postos importantes das subsidiárias.

A Fictor pediu a reestruturação declarando ter dívidas superiores a R$ 4,2 bilhões, em cenário influenciado pela tentativa malsucedida de comprar a operação do Banco Master.

Na semana passada, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) antecipou os efeitos do pedido de recuperação judicial e concedeu tutela de urgência que suspende, por 30 dias, execuções judiciais, arrestos e bloqueios patrimoniais relacionados a créditos com credores.

De acordo com o laudo pericial assinado pela Laspro Consultores, um endereço apontado como sendo da Fictor Agro Comércio de Grãos Ltda., em Rio Verde (Goiás), não apresentava qualquer indício de atividade profissional. Informações coletadas nos arredores indicavam a saída da empresa há um ano.

No endereço da Dynamis Clima SPE, em Cocalzinho (GO), também não foram encontrados funcionários ou indícios de atividade em funcionamento. A perícia constatou a existência de uma pousada e um depósito sem identificação visual da companhia.

"Durante a visita, a preposta entrou em contato com a proprietária da pousada, a qual informou não possuir conhecimento acerca da empresa buscada, afirmando que nenhuma atividade relacionada a tal pessoa jurídica teria sido exercida ali", afirma a Laspro no laudo.

Uma subsidiária em Manaus (AM) não existia no local indicado. De acordo com a perícia, não foi identificado qualquer indício de funcionamento da FW SPE Solar 2 Ltda e funcionários de empresas vizinhas relataram desconhecer atividade da companhia.

Em Rio das Flores (RJ), onde deveria funcionar a Komorebi SCP, uma das empresas de energia da Fictor, um perito encontrou uma estação de energia solar sem placas, sinalização ou estrutura que indicasse relação com a Fictor.

Em Jacarepaguá (RJ), a Laspro também encontrou uma empresa que era apontada como subsidiária, mas negou relação com a Fictor. É o caso da Rica, que explicou ter rescindido um contrato de arrendamento firmado com a Fictor após o descumprimento de obrigações.

"No mesmo momento, foi esclarecido que a Rica nunca integrou o rol de subsidiárias da Fictor, tendo apenas cedido espaço físico para uso da empresa. Informou-se ainda que a Fictor não se encontra mais no local em razão da mencionada rescisão contratual".

Em diversos endereços, os peritos relatam terem sido proibidos de entrar nos prédios. Em outros, foi constatado que a Fictor operava no local anteriormente, mas havia deixado o endereço.

Na sede da Fictor Holding e Fictor Invest, em São Paulo, as únicas duas empresas para as quais a companhia pediu recuperação judicial, o perito da Laspro disse ter encontrado o local em desmontagem. Os advogados explicaram que a empresa estava de mudança para outro local.

No prédio atual, localizado na zona sul de São Paulo, o andar apontado estava praticamente vazio, com a maior parte dos funcionários trabalhando em regime de home office.

Os advogados que acompanharam a visita explicaram que o grupo hoje conta com 60 empregados –antes do pedido de recuperação judicial, eram aproximadamente 200.

Endereços da Fictor Energia e da Dr. Foods Alimentos em São Paulo, da Fredini Alimentos e Mellore em Minas Gerais, e de um hotel e outra fazenda solar no Rio de Janeiro apresentaram funcionamento normal.

Para os peritos, no entanto, mesmo nesses locais com atividade regular é grande a falta de transparência documental sobre a estrutura econômico-financeira do grupo Fictor. A Laspro pediu a intimação da companhia para que sejam apresentados os documentos em falta.

A perícia também encontrou inconsistência nos ativos apresentados em balanço da Fictor Holding, como bens imobilizados em nome da FictorPay, o que gerou dúvidas sobre a titularidade real desses ativos.

Outro ponto importante do laudo envolve uma aparente opacidade nas SCPs (Sociedades em Conta de Participação), modelo de captação de recursos no mercado tido pela Fictor como a base de seu negócio e questionadíssimo por críticos da operação da companhia.

Para a Laspro, esse mecanismo não era transparente. Não há detalhe, por exemplo, do fluxo de recursos entre as sociedades, as empresas da Fictor que pediram recuperação judicial e as subsidiárias.

A Fictor não foi localizada pela reportagem até o momento. Até a semana passada, a companhia possuía contrato com uma agência de comunicação e outros assessores independentes, que informaram não atender mais o grupo. Advogados da empresa foram procurados e não responderam aos contatos.

CREDORES RECLAMAM DE PERÍCIA

O advogado Vitor Gomes de Mello, que defende alguns dos credores da Fictor, pediu a complementação do laudo com informações consideradas vitais para entender o negócio.

De acordo com o pedido feito à Justiça nesta terça (10), faltaram análises sobre as denúncias envolvendo uma possível pirâmide financeira da Fictor na oferta e gerenciamento de SCPs, bem como silêncio sobre denúncias de possível confusão patrimonial entre as empresas do grupo.

A Laspro não se manifestou até o momento.

Uma das clientes do advogado teve seu pedido liminar de bloqueio de R$ 60 mil da Fictor atendido pela Justiça. O valor é correspondente ao montante que ela tinha investido com a companhia em uma SCP.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.