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Otto Alencar rejeita neutralidade do PSD na Bahia e defende manutenção de aliança com Jerônimo e Lula
Otto Alencar rejeita neutralidade do PSD na Bahia e defende manutenção de aliança com Jerônimo e Lula
Por Redação
01/02/2026 às 17:00
Foto: Reprodução
O presidente estadual do PSD na Bahia, senador Otto Alencar, afirmou neste domingo (1º) que o partido não deve adotar posição de neutralidade nas eleições estaduais, em meio ao impasse envolvendo o senador Angelo Coronel (PSD). Segundo Otto, embora respeite o colega de legenda, não pode submeter a decisão da maioria de prefeitos e parlamentares a uma “aventura” política.
A declaração foi dada após Coronel defender publicamente que o PSD permanecesse neutro na disputa pelo governo estadual, sem alinhamento com o PT nem com a oposição liderada pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). O senador argumenta que busca preservar sua candidatura ao Senado diante da possível formação de uma chapa majoritária exclusivamente petista.
Otto criticou a proposta de neutralidade e disse que a estratégia enfraqueceria o partido. “Neutralidade seria afundar o partido de uma vez só. Nenhum partido neutro vai para absolutamente lugar nenhum”, afirmou em entrevista à Rádio Boa FM 96,1.
O dirigente estadual do PSD declarou que só vai se pronunciar oficialmente sobre a situação partidária de Coronel quando houver definição concreta sobre eventual saída, mas fez questão de rebater a afirmação de que teria atuado para afastá-lo. “Eu nunca tomei nenhuma iniciativa de tirá-lo do partido ou defenestrar ele, como ele falou”, disse.
Otto Alencar citou números internos para sustentar que a maioria da legenda defende a permanência na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, entre os deputados estaduais do partido, sete de nove já declararam apoio à aliança governista. Entre prefeitos consultados, mais de 90% teriam se posicionado a favor da manutenção do acordo.
“Dos 115 prefeitos consultados, mais de 90% querem estar na aliança com o governador Jerônimo. Ontem mesmo me ligou o prefeito de Itabuna, Augusto Castro, dizendo que quer permanecer na aliança”, relatou.
Para o senador, a condução do partido deve seguir a vontade da maioria dos filiados e lideranças. Ele afirmou que não pode direcionar o PSD para neutralidade ou eventual composição com a oposição apenas para atender a um projeto individual. “Eu não posso decidir o destino de tantos candidatos por uma neutralidade ou até para levar para uma aliança com o candidato da oposição ACM Neto. Não tenho nada pessoal contra ACM Neto, mas a decisão de um presidente de partido da grandeza do PSD deve ser sempre a maioria dos seus filiados”, declarou.
Otto também comentou a relação pessoal com Angelo Coronel e reconheceu o desgaste do momento. Disse que, no Senado, manteve alinhamento com o projeto político ligado ao presidente Lula, enquanto Coronel adotou posições mais à direita em votações e apoios nacionais.
De acordo com o dirigente, o PSD chegou a assegurar a Coronel a possibilidade de candidatura avulsa ao Senado, desde que dentro da coligação com o governador Jerônimo Rodrigues. Ele rejeitou, porém, a hipótese de o partido lançar candidatos proporcionais e majoritários sem se coligar na disputa pelo governo estadual — modelo que classificou como inviável.
Otto reforçou que o apoio à reeleição de Lula e de Jerônimo já foi aprovado internamente por lideranças e pela bancada federal do partido na Bahia. Ao final, classificou o impasse como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política. “Não estou decidindo o que eu quero fazer, mas o que a maioria quer que eu faça. A vida política junta e, às vezes, também separa”, concluiu.
