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Lula reforça tom eleitoral e brinca sobre Trump: 'conhecesse sanguinidade de Lampião, não provocaria'
Lula reforça tom eleitoral e brinca sobre Trump: 'conhecesse sanguinidade de Lampião, não provocaria'
Por Juliana Arreguy, Folhapress
09/02/2026 às 14:46
Foto: João Valadares/PT/Arquivo
O presidente Lula (PT)
O presidente Lula (PT) brincou nesta segunda-feira (9), em discurso carregado de tom eleitoral, sobre seu homônimo americano, Donald Trump, e disse que, se ele "conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente".
"Não adianta ficar falando na televisão: 'Eu tenho o maior navio de guerra, eu tenho o maior submarino do mundo, eu tenho um avião, um navio cem vezes mais importante. Eu não quero briga com ele. Eu sou doido? Vai que eu brigo e eu ganho. O que eu vou fazer?."
O petista visitou a sede do Instituto Butantan, na zona oeste da capital paulista. O presidente anunciou R$ 1,8 bilhão em investimentos para ampliar as instalações e dar início à vacinação contra a dengue para profissionais de saúde.
Em seu discurso, Lula se disse "um cidadão de muita sorte" e afirmou que, enquanto tiver possibilidades, não faltará dinheiro para a pesquisa no país.
"Onde é que está a razão para alguém desacreditar desse país, para não aportar nesse país. Celebrar a primeira vacina contra dengue do mundo, uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós, e quem sabe a gente possa produzir em quantidade para ajudar outros países mais pobres do que nos", disse Lula.
O petista, que tem utilizado do argumento da soberania nacional desde que o presidente dos Estados Unidos anunciou o tarifaço sobre os produtos brasileiros, afirmou que "muitas vezes a gente ainda consegue viver com complexo de vira-lata".
Lula também destacou o multilateralismo, disse que é isso o que garante a harmonia entre os estados e acrescentou: "Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia, mas também não quero ser menor que Estados Unidos e a China", afirmou.
O petista chegou por volta das 10h e visitou a fábrica das vacinas antes do início do evento. O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, participou do evento, mas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu à agenda.
Estiveram junto de Lula o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde), da Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Márcio França (Empreendedorismo) e Paulo Teixeira (do Desenvolvimento Agrário).
O evento também contou com a presença do diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, e o diretor-executivo da Fundação Butantan, Saulo Nacif.
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha afirmou que Lula é o único presidente da história a ter pisado no instituto. Ele também disse que os investimentos representam um marco histórico e que mostram que o Butantan está empenhado em "salvar vidas e não só manter lucro a partir da venda de insumos".
O ministro cumprimentou os funcionários do instituto e lembrou o período da pandemia de Covid-19, no qual tanto os servidores quanto a vacina foram alvos de desinformação pelo governo Jair Bolsonaro (PL). "Foram ataques com fake news, disseram que iam virar jacaré, que iam ter chip implantado. Mas vocês [profissionais do Butantan] resistiram, acreditaram na ciência", disse o ministro.
A fala de Padilha ressaltou também que o SUS é um exemplo da soberania nacional –tema explorado pelo governo federal após o anúncio do tarifaço de Donald Trump e que virou uma das vitrines de Lula na sua tentativa de se reeleger à Presidência.
O presidente americano foi citado como "antivacina e negacionista" pelo ministro. "Muitos pesquisadores que estão sendo perseguidos ou que tiveram recursos cortados pelo movimento antivacina nos Estados Unidos, hoje, vão vir ou já estão colaborando com a Fiocruz, o Butantan, e outras instituições brasileiras", disse Padilha.
O ministro também cutucou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao mandar um abraço para ele, ausente do evento, em seu discurso. Tarcísio apoiou a eleição de Trump e é afilhado político de Bolsonaro, de quem foi ministro durante a pandemia.
