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CBPM tenta anular negócio bilionário de ouro entre empresas canadense e chinesa
CBPM tenta anular negócio bilionário de ouro entre empresas canadense e chinesa
Estatal baiana diz que não foi procurada pela Equinox Gold antes das negociações
Por Pedro Lovisi/Folhapress
04/02/2026 às 17:00
Foto: Reprodução/Instagram
Ao centro, o presidente da CBPM, Henrique Carballal
A CBPM (Companhia Baiana de Pesquisa Mineral), empresa do governo da Bahia, quer anular a venda de minas de ouro da canadense Equinox Gold para a chinesa CMOC. A estatal alega que ela não foi ouvida sobre as negociações bilionárias, o que iria contra um acordo de arrendamento entre os baianos e os canadenses.
A Equinox Gold, que no Brasil opera minas na Bahia, Maranhão e Minas Gerais, anunciou em dezembro que venderia seus ativos no país para a CMOC, uma das maiores mineradoras do mundo e com operações de nióbio e fertilizantes fosfatados em Goiás e São Paulo.
O negócio envolve o pagamento de mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) por parte dos chineses, sendo US$ 900 milhões no fechamento da compra e US$ 115 milhões um ano depois.
A CBPM, no entanto, argumenta que o direito de extração da Equinox na Bahia pertence a ela e que os canadenses só operavam na região sob um contrato de arrendamento. Esse acordo prevê que a Equinox só pode negociar com terceiros seus direitos se tiver a anuência da arrendante, que nesse caso é a CBPM.
Executivos das três empresas se reuniram na terça-feira (3) na sede da estatal baiana para tratar sobre o tema. Na ocasião, o presidente da CBPM, Henrique Carballal, disse ser contrário à negociação e se queixou de não ter sido ouvido pelos canadenses antes do acordo com os chineses ser firmado.
"Foi uma operação tabajara, porque desrespeitou o estado da Bahia e o Brasil como um todo", disse ele ao jornal Folha de São Paulo após a reunião. "O contrato diz claramente que nenhuma operação de negociação pode se dar sem a anuência da CBPM, ainda menos a venda, e nós não havíamos sido comunicados oficialmente até agora; fomos informados apenas pela imprensa."
Segundo Carballal, a CBPM entrará na Justiça na próxima semana para anular a venda. "Se a CMOC quiser fazer uma proposta, que eles tratem diretamente com a gente", diz.
A CMOC não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o tema. A reportagem também procurou representantes da Equinox no Brasil, mas todos eles disseram já ter sido transferidos para a chinesa e que, por isso, não tinham autorização para comentar o assunto.
Se concretizada, a anulação da venda das minas da Equinox na Bahia tem potencial de afetar toda a negociação entre chineses e canadenses. Isso porque o complexo minerário da Equinox no estado é o mais lucrativo da empresa no país.
De acordo com o balanço anual de 2024 da Equinox, o último a ser publicado, as duas minas da empresa na Bahia geraram uma receita de US$ 290 milhões no ano, quase metade de todo a receita da empresa no Brasil e um quinto da receita mundial da mineradora, que também opera minas de ouro no Canadá, EUA, México e Nicarágua.
Até por isso, a CBPM espera lucrar com o interesse dos chineses pelos ativos no estado. Nesse caso, segundo Carballal, a CMOC poderia comprar o direito minerário diretamente dos baianos ou a própria CBPM poderia passar a extrair ouro na região.
"A única coisa que eu não posso aceitar é que uma empresa estrangeira que tem contrato com a gente simplesmente venda meu direito minerário, coloque um bilhão no bolso e vai embora. Eles precisam respeitar", afirma Carballal.
O preço do ouro vem batendo recordes nos últimos meses, à medida que as tensões geopolíticas aumentam –no final de janeiro, por exemplo, a onça de ouro ultrapassou os US$ 5.100. A subida tem provocado a retomada de projetos suspensos de ouro em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Quando anunciou a venda dos ativos no Brasil para a CMOC, o CEO da Equinox Gold, Darren Hall, disse que a negociação era importante para quitar empréstimos de US$ 800 milhões e, consequentemente, reduzir despesas da mineradora com juros.
"A empresa terá maior flexibilidade para autofinanciar o crescimento orgânico e considerar iniciativas de retorno de capital dentro de uma estrutura disciplinada de alocação de capital", afirmou em dezembro.
Na tarde desta quarta (4), os papéis da Equinox eram comercializados a US$ 14,90 na NYSE, a Bolsa de Valores de Nova York, com uma desvalorização de 1,39%. Já na Bolsa de Toronto, eram vendidos a 20,47 dólares canadenses, com desvalorização de 0,58%.
