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Bolsa renova recorde e fecha acima de 185 mil pontos após ata do Copom; dólar cai

Bolsa renova recorde e fecha acima de 185 mil pontos após ata do Copom; dólar cai

Investidores analisaram documento do comitê, que reforçou plano de iniciar cortes de juros em março

Por Folhapress

03/02/2026 às 21:35

Foto: Divulgação

Imagem de Bolsa renova recorde e fecha acima de 185 mil pontos após ata do Copom; dólar cai

Bolsa de Valores

A Bolsa subiu 1,57% nesta terça-feira (3) e encerrou o dia aos 185.674 pontos, renovando o recorde de fechamento. O desempenho foi impulsionado pelo maior apetite ao risco e pela entrada de capital estrangeiro no país.

O movimento foi motivado pela divulgação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O documento reforçou a intenção do Banco Central de iniciar o ciclo de cortes de juros na próxima reunião, em março, elevando o otimismo no mercado acionário.

É a primeira vez que o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, termina o pregão acima dos 185 mil pontos. Na máxima do dia, o índice atingiu os 187.333 pontos, estabelecendo um novo recorde intradiário e superando a marca histórica dos 187 mil pontos pela primeira vez.

O dólar, por sua vez, recuou 0,17%, cotado a R$ 5,247, refletindo o fortalecimento do real ao longo do pregão.

Segundo a ata, a sinalização do Copom por um corte na taxa Selic em março vem após melhora da inflação e a aproximação das expectativas em direção à meta de 3%. O alvo central do BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

"O comitê se aprofundou na discussão sobre calibração da política monetária, no contexto atual de um ambiente de melhora do cenário inflacionário corrente e expectativas de inflação menos distantes da meta, que proporciona maiores evidências sobre a transmissão da política monetária", afirmou.

O colegiado do BC, contudo, disse que todos os membros concordaram sobre a necessidade de manter a taxa básica em um patamar elevado até que se consolide o processo de desinflação e convergência das expectativas ao alvo central.

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o documento deixa em aberto o ritmo e o tamanho do ciclo de cortes. "A ata ressalta que avaliação da necessidade de uma Selic restritiva é unânime [no Copom]—o que limita o debate de taxas mais baixas. Seguimos, porém, com a visão de que o fluxo de dados irá fortalecer a aceleração de cortes em algum momento do ciclo", afirma.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o tom é semelhante ao do comunicado divulgado após a decisão. "Reforça que a trajetória dos juros é de queda, o que estimula a Bolsa brasileira, enquanto o diferencial de juros em relação aos EUA permanece consideravelmente elevado'".

Ela menciona que o "carry trade" do país continua atrativo. Nele, pega-se dinheiro emprestado a taxas mais baixas, como a dos EUA, para investir em ativos com alta rentabilidade, como a renda fixa brasileira. Assim, quanto mais atrativo o carry trade, mais dólares tendem a entrar no Brasil.

Segundo Davi Lelis, especialista e sócio da Valor Investimentos, a alta do Ibovespa retoma o ritmo das últimas semanas, quando o fluxo de investidores estrangeiros para fora das praças norte-americanas disparou.

Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, o volume aportado por investidores estrangeiros na B3 em janeiro deste ano superou a soma total do ano de 2025.

"Os cortes de juros no Brasil tendem a ocorrer de forma gradual, enquanto a possível mudança no comando do banco central americano pode levar a uma trajetória de juros mais baixa do que o inicialmente esperado —algo que deve beneficiar o Brasil", diz Lelis.

Kevin Warsh foi indicado ao Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) na sexta-feira (30) por Donald Trump em decisão que dialoga com os ataques recorrentes do presidente norte-americano a Powell, indicado pelo republicano em seu primeiro mandato, em 2017, e reconduzido ao cargo pelo democrata Joe Biden, em 2021.

O indicado deve assumir o cargo em maio, quando acaba o mandato de Jerome Powell. A indicação de Warsh para o cargo precisa ser confirmada pelo Senado até 15 de maio, data que marca o fim do mandato de Powell.

Warsh é visto como um defensor da postura "hawkish" (agressiva no combate à inflação e defensor de juros altos), que vai na contramão do que vem defendendo Trump, que exige a redução dos juros para 1%. Atualmente, a taxa está entre 3,5% e 3,75%.

Declarações de membros da Casa Branca sobre o indicado ao cargo, contudo, defendem que Warsh poderá ser mais flexível na abordagem de juros do que o projetado. "Warsh deverá ter uma postura mais sensível ao crescimento econômico e menos inclinada à manutenção de juros elevados por tempo prolongado", diz Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos.

Ainda no cenário doméstico, a possível indicação do secretário de política econômica da Fazenda, Guilherme Melo, ao Banco Central se manteve no radar dos investidores. Na véspera (2), o nome de Melo foi um dos responsáveis pela alta nos contratos de juros futuros.

"Depois que o nome de Guilherme Mello passou a circular, a sensação predominante foi de desconforto e cautela, e isso costuma aparecer como juros mais altos nos prazos mais longos, ou seja, o mercado pede uma remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo por muitos anos, porque fica mais inseguro", diz Rafael Lima, CEO da fintech Ótmow.

Mello tem forte ligação com o PT —trabalhou na formulação do plano econômico do governo Lula— e sua indicação, se confirmada por Lula, sinalizaria influência não apenas de Haddad, mas do partido e do governo no órgão.

Nesta terça, o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) confirmou, em entrevista, ter indicado a Lula o nome do secretário para a diretoria do BC.

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