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Bolsa dispara e fecha em novo recorde após dados de emprego nos EUA e fala de Galípolo; dólar cai

Bolsa dispara e fecha em novo recorde após dados de emprego nos EUA e fala de Galípolo; dólar cai

Relatório apontou para estabilidade no mercado de trabalho, dando espaço para Fed manter juros inalterados

Por Folhapress

11/02/2026 às 19:05

Foto: Reprodução

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Bolsa de Valores

A Bolsa de Valores fechou em disparada de 2,18% nesta quarta-feira (11) e marcou 189.699 pontos no fechamento —novo recorde histórico do Ibovespa.

O principal índice do mercado brasileiro galgou quase 5 mil pontos neste pregão, testando os patamares de 187 mil, 188 mil, 189 mil e 190 mil pontos pela primeira vez. Na máxima do dia, chegou a 190.561 pontos.

O movimento foi reflexo de um novo fluxo de recursos estrangeiros para o país, considerando dados de emprego dos Estados Unidos acima do esperado e suas possíveis repercussões na trajetória dos juros do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano). Internamente, falas do presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, e balanços corporativos da TIM e da Suzano também impulsionaram o Ibovespa.

O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a Bolsa foi mais uma vez decisivo para a queda do dólar, que fechou com perdas de 0,19%, cotado a R$ 5,186. Na mínima do dia, chegou a 5,169. Trata-se do menor valor para a moeda desde 28 de maio de 2024, há quase 21 meses, quando encerrou o dia a R$ 5,160.

O relatório de emprego payroll mostrou que a criação de vagas de trabalho nos EUA acelerou em janeiro para 130 mil novos postos, após 48 mil em dezembro. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 70 mil vagas, em estimativas que variavam entre perda de 10 mil e ganho de 135 mil.

Já a taxa de desemprego caiu de 4,4% em dezembro.

Os dados apontam para sinais de estabilidade no mercado de trabalho, que podem dar ao Fed espaço para deixar a taxa de juros inalterada por algum tempo enquanto as autoridades monitoram a inflação.

"O mercado de trabalho americano ainda mostra resiliência, enquanto a inflação continua pressionada. Os dados de emprego e inflação referentes a fevereiro, que ainda serão divulgados, devem dar mais clareza sobre o cenário e ajudar a orientar a próxima decisão de política monetária", diz Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank.

"Por ora, esperamos a manutenção dos juros no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, na próxima reunião, em março."

Quanto menor a taxa norte-americana, melhor para os mercados globais. A manutenção dos juros em patamares elevados atrai recursos para a renda fixa dos EUA, considerada praticamente livre de risco por se tratar da maior economia do planeta.

Por outro lado, as recentes políticas do governo Donald Trump têm incentivado a diversificação de carteiras para além dos mercados norte-americanos —um movimento que culminou em uma avalanche de recursos externos na B3 no último mês de janeiro. Essa estratégia continua em fevereiro.

"Mesmo com o dado de emprego americano reduzindo a probabilidade de cortes agressivos do Fed, o mercado tratou o relatório como insuficiente para reverter a tendência de rotação de fluxos para emergentes", diz Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

Parte dessa entrada de investidores estrangeiros na Bolsa também deriva do iminente ciclo de cortes da taxa Selic nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC.

Galípolo defendeu nesta quarta que a autarquia adote uma postura conservadora para ganhar confiança sobre a "calibragem" de juros prevista para março, defendendo serenidade e parcimônia no processo decisório.

Falando em evento do BTG Pactual, Galípolo disse que é comum agentes de mercado defenderem cortes mais fortes ou altas mais intensas da taxa Selic a depender do ciclo. Ele, então, comparou a autarquia a um transatlântico, argumentando que ela não pode fazer grandes mudanças e se move de maneira mais comedida.

"O Banco Central tem que tentar suavizar os ciclos. Faz parte do nosso mandato —como está escrito, e a gente repete o nosso comunicado— a gente fazer movimentos mais suaves", afirmou.

"Dado o tamanho da incerteza em projeções, a atitude do Copom foi ser mais conservador em esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança."

Na B3, as opções de Copom precificavam 66% de probabilidade de corte de 0,5 ponto percentual na Selic em março, 24% de chance de redução de 0,25 ponto e 4,25% de possibilidade de baixa de 0,75 ponto.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos —cuja taxa de referência hoje está na faixa de 3,50% a 3,75%— vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Galípolo evitou dar sinais sobre o que será feito nas decisões de política monetária no restante do ano, afirmando que um sinal nesse sentido poderia causar mais danos do que benefícios diante do cenário incerto.

Em relação à incerteza que poderá ser gerada pelo período eleitoral neste ano, Galípolo disse que a forma de atuação do BC não muda diante de pesquisas eleitorais e acrescentou que o horizonte relevante da política monetária ultrapassa o período das campanhas para a presidência.

Nesta quarta, a pesquisa Genial/Quaest mostrou que o presidente Lula (PT) segue na liderança em todos os cenários de primeiro turno testados pelo levantamento, com intenções de voto entre 35% e 39%. Em todos eles, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assegura, com folga, o segundo lugar, com percentuais que variam de 29% a 33%.

"Mesmo com a pesquisa e a possibilidade de um novo governo Lula, temos destacado que o mercado não está precificando eleições de forma agressiva neste momento. O risco eleitoral ainda é secundário frente ao fluxo estrangeiro e aos dados econômicos", diz Lilian Linhares, sócia e head da Rio Negro Family Office.

"A preocupação maior segue sendo a trajetória fiscal no próximo mandato, independentemente de quem vença. O ponto de atenção agora é se o ritmo de entrada de capital estrangeiro continua. Se continuar, tende a dar suporte adicional para Bolsa e real. Se desacelerar, podemos ver um movimento mais técnico de realização".

No cenário corporativo, destaque para as ações da Suzano e TIM, em disparada de 13% e 8%, respectivamente, após as empresas divulgarem resultados do quarto trimestre. Petrobras e Vale também fecharam em forte alta de mais de 3% cada.

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