Bispo evangélico vê Bolsonaro em 'espiral preocupante' após visita a cela
Robson Rodovalho, da Sara Nossa Terra, diz que ex-presidente se encontra fragilizado e sem apetite
Por Fábio Zanini/Folhapress
02/02/2026 às 18:30
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Arquivo
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)
O bispo Robson Rodovalho, líder da igreja Sara Nossa Terra, diz que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou a ele que espera que a corrida eleitoral esquente após o Carnaval, e reiterou sua opção pelo filho Flávio como candidato presidencial.
Os comentários do ex-presidente foram feitos na última sexta-feira (30), durante visita de uma hora de Rodovalho a Bolsonaro na cela em que ele está preso, em Brasília.
Segundo o bispo, a maior parte da visita foi dedicada a temas espirituais e médicos. Para Rodovalho, o ex-presidente entrou numa "espiral preocupante".
"Vi uma situação complicada. Ele continua bastante fragilizado. Cheguei por volta de 10h30, ele não tinha tomado café da manhã ainda nem tinha vontade de almoçar", diz Rodovalho, que recebeu permissão do ministro Alexandre de Moraes (STF) para dar assistência espiritual a Bolsonaro em visitas periódicas.
O bispo relata que, durante a visita, uma equipe médica entrou na cela para medir a pressão arterial de Bolsonaro. "Ele soluçou muito tempo todo. Quando toma remédio, o soluço diminui, mas ele fica grogue, com tontura", afirma Rodovalho.
O líder religioso e Bolsonaro ficaram a sós na cela a maior parte do tempo da visita. Neste período, Rodovalho leu um trecho do salmo 103 da Bíblia, que prega a renovação e compara o ser humano a uma águia.
Também cantaram a música "Deus está aqui" à capela, uma vez que o bispo não levou violão para esta visita, como pretende fazer futuramente.
"Eu disse ao presidente que a fé fortalece a mente, que não se pode deixar consumir pela desesperança. Ele então me perguntou quais fatores poderiam gerar esperança, e eu respondi que muitas vezes nós não sabemos. A vida não é feita de fatores determinados, é cheia de situações imprevistas", afirmou Rodovalho.
"O próprio presidente Lula é um exemplo, quem imaginaria que ele deixaria a prisão para voltar ao poder?", acrescentou o religioso.
