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'Se eu tivesse morrido não teria problema, a causa é justa', diz mulher atingida por raio em ato de Nikolas
'Se eu tivesse morrido não teria problema, a causa é justa', diz mulher atingida por raio em ato de Nikolas
Por Raquel Lopes/Folhapress
28/01/2026 às 08:52
Foto: Reprodução/Arquivo
Nikolas Ferreira
Eram exatamente 10h30 do último domingo (25), sob chuva forte em Brasília, quando as amigas Lúcia Helena Canhada Lopes, 68, e Maria Eli Silva, 58, saíram do hotel em direção à praça do Cruzeiro. No local, uma multidão se aglomerava para a chegada da caminhada com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
As duas foram atingidas por um raio que caiu na praça durante o evento, sendo que Maria Eli permanece internada na UTI do Hospital Santa Marta, em Taguatinga (DF). O episódio deixou 89 vítimas, das quais 47 foram levadas a unidades de pronto-atendimento.
A decisão de ir a Brasília ocorreu após Maria Eli enviar a Lúcia um vídeo do deputado, que consideram uma pessoa do bem. Lúcia estava em sua casa em Olímpia (interior de São Paulo) e incentivou a amiga dizendo: "Na idade que a gente está, a gente não pode passar vontade".
A aposentada Lúcia Canhada lopes, no Hospital Santa Marta, que foi atingida com sua amiga pelo raio que vitimou dezenas em evento do deputado Nikolas Ferreira
As duas se conhecem há cerca de 40 anos e costumam viajar juntas pelo país.
Maria Eli saiu de Jacareí (interior de SP) na quinta-feira (22), após comemorar o aniversário com os dois filhos. Seguiu para São Paulo e pegou um ônibus para Olímpia, onde encontrou Lúcia no dia seguinte. As duas partiram de carro no mesmo dia.
Antes da viagem, colocaram uma bandeira do Brasil no veículo com a frase: "Fechado com Bolsonaro" e criaram um perfil em rede social para compartilhar registros do trajeto. Devido ao cansaço, pararam para dormir em Cristalina (GO) e chegaram a Brasília no sábado.
No domingo, na praça, Lúcia ouviu um estrondo forte e chegou a desmaiar. Ao recuperar a consciência, ainda no local, disse ter pensado inicialmente que se tratava de um atentado.
Em seguida, viu pessoas levando a amiga para debaixo de uma tenda azul. Maria Eli apresentava um quadro mais grave, com dores intensas pelo corpo, descritas como sensação de queimação. Ela teve queimaduras no pescoço e em parte do seio.
As duas foram levadas de ambulância para o Hospital Regional da Asa Norte. Maria Eli depois foi transferida para o Hospital Santa Marta e segue internada na UTI. Em um dos atendimentos, recebeu morfina para controle da dor e, segundo a amiga, tem apresentado melhora clínica.
Sobre o risco de morte no incidente, ela declarou: "Se eu tivesse morrido, também não teria problema. Morreria por uma causa justa, nobre".
Lúcia afirma que a decisão de ir a Brasília foi motivada pela pauta defendida por Nikolas Ferreira, a quem descreve como uma pessoa honesta. Diz acreditar que o país deve ser conduzido por representantes que, em sua avaliação, façam bom uso dos recursos públicos. Ela faz críticas ao governo do presidente Lula.
Segundo Lúcia, o sentimento de patriotismo antecede a atual conjuntura política. Em 2017, ela percorreu o Caminho de Santiago de Compostela por 33 dias, carregando a bandeira do Brasil. O vínculo com o país também aparece nos objetos que usa, como uma bandeira do Brasil presa à bolsa, além de brincos e colar nas cores verde e amarelo.
Ela se identifica politicamente com a direita e afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro "colocou o sentimento de direita" muito forte em seu coração.
Lúcia diz que não participou dos atos de 8 de janeiro, embora tenha cogitado ir a Brasília na ocasião. Afirma que raramente participa de manifestações e que esteve em um evento com Bolsonaro em Olímpia apenas porque estava na cidade na mesma data.
Apesar de se identificar como a direita, ela ressalta que mantém uma postura crítica, analisando as pessoas individualmente, pois não acredita que alguém seja bom apenas por pertencer a esse espectro político.
Para Lúcia, o voto deve ser baseado no trabalho que a pessoa realiza e não apenas por gostar da figura pública.
