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Presidente do TCU diz que BC concordou com inspeção em caso Master por segurança jurídica
Presidente do TCU diz que BC concordou com inspeção em caso Master por segurança jurídica
Ministro Vital do Rêgo disse que tribunal vai ter acesso a documentos que basearam processo de liquidação
Por Nathalia Garcia/Folhapress
12/01/2026 às 18:45
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo
O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), ministro Vital do Rêgo, afirmou que o Banco Central concordou, em reunião nesta segunda-feira (12), com a realização de uma inspeção para analisar a documentação do caso Master visando ter segurança jurídica.
"O Tribunal é competente [para fiscalizar o caso Master], quem disse isso agora não foi apenas eu, foi o presidente do Banco Central [Gabriel Galípolo]. A inspeção vai ser feita porque o Banco Central pediu essa inspeção para lhe dar garantias jurídicas, segurança jurídica", disse a jornalistas na sede do TCU, em Brasília.
"Nós tivemos no Banco Central as portas inteiramente abertas e necessárias para o poder fiscalizatório de segunda ordem do TCU", acrescentou o ministro, reforçando que a autoridade monetária quer o "selo de qualidade" da corte de contas.
O presidente do TCU se encontrou na tarde desta segunda com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na sede da autoridade monetária.
O encontro ocorreu depois de o ministro Jhonatan de Jesus, sob pressão da opinião pública, ter recuado e suspendido a inspeção in loco para apurar a conduta do BC na liquidação do banco Master. O processo será submetido à análise do plenário do órgão de contas na quarta-feira da semana que vem (21).
Pelo lado do BC, participaram também da reunião o secretário-executivo do BC, Rogério Lucca, e os diretores Ailton de Aquino (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação e Organização do Sistema Financeiro e de Resolução interinamente) e Izabela Correa (Cidadania e Supervisão de Conduta).
Representando o TCU, também compareceram ao encontro o ministro Jhonatan de Jesus, Juliana Pontes, secretária-geral de Controle Externo, Flávio Takashi Sato, secretário-geral de Comunicação, e Maria Bethânia Lahoz, auditora chefe adjunta da Secretaria Geral de Controle Externo.
"Na reunião que fizemos hoje, nós definimos que o TCU vai ter acesso aos documentos do Banco Central, que foram base para o processo liquidatório. Só quem podia liquidar era o Banco Central, nós nunca discutimos isso, e cabe ao TCU fazer análise dos documentos. [...] Agora, nós temos um calendário, e esse calendário vai ser ajustado entre as unidades técnicas", disse o presidente do TCU.
Segundo Vital do Rêgo, a inspeção deve durar menos de um mês. "Há uma convergência de fazer a inspeção no menor tempo possível", afirmou. Na visão dele, a reunião com a cúpula do Banco Central afastou a chance de haver uma medida cautelar contra o regulador em meio ao processo do caso Master e não há qualquer rusga entre as instituições.
"Já habilitei para o Banco Central os nossos interlocutores, o Banco Central já habilitou dois diretores da instituição, vamos prosseguir rapidamente, porque o compromisso da corte é terminar esse processo o mais rapidamente possível", complementou.
O ministro reafirmou que o TCU não tem competência para reverter a liquidação do Master, decretada pela autoridade monetária em 18 de novembro de 2025, apesar de considerar a medida como "extremada".
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso, não participou da entrevista a jornalistas. Em nota, ele disse que "houve alinhamento quanto à competência do TCU para fiscalizar atos do Banco [Central], respeitados o sigilo documental e a discricionariedade técnica da autoridade monetária" e que a reunião teve um tom amistoso e cooperativo.
"A inspeção seguirá os trâmites regimentais normais, respeitado o devido processo legal. O diálogo fortalece a segurança jurídica e a estabilidade das decisões públicas", complementou.
