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Mais uma técnica do IBGE é exonerada em meio a crise entre gestão Pochmann e servidores

Mais uma técnica do IBGE é exonerada em meio a crise entre gestão Pochmann e servidores

Gerente deixa cargo em área de publicações do órgão, que também muda coordenação do PIB

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

28/01/2026 às 20:40

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/Arquivo

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Recenseador do IBGE

Mais uma técnica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) foi exonerada em meio a uma crise entre os servidores e a gestão do presidente Marcio Pochmann.

Trata-se da gerente Ana Raquel Gomes da Silva, lotada na Gecoi (Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais). A área cuida das publicações do IBGE, o que inclui tarefas como a revisão de periódicos.

Segundo pessoas com conhecimento do assunto, a exoneração foi comunicada pela direção à servidora em reunião na manhã desta quarta-feira (28). A decisão ainda deve ser formalizada no Diário Oficial.

Para o sindicato dos servidores do instituto (Assibge), a exoneração é "mais uma medida retaliatória". Em nota, a entidade disse que Ana Raquel e sua equipe protagonizaram embates públicos com a direção.

"Esse caso se soma a diversas outras exonerações e remoções arbitrárias promovidas pela gestão Marcio Pochmann, que vem conduzindo uma caça às bruxas contra servidores que se posicionam na defesa técnica, institucional e histórica do IBGE", afirmou o Assibge.

Há exatamente um ano, Ana Raquel e outro servidor denunciaram a suposta propaganda política do Governo de Pernambuco em uma publicação do instituto chamada "Brasil em Números".

De acordo com eles, a direção do IBGE recebeu e aprovou o material, que listou ações da gestão estadual em áreas como habitação e educação.

"Entender que boas políticas são transversais tem sido essencial para os resultados observados em Pernambuco", diz trecho do prefácio do "Brasil em Números".

"Temos o terceiro melhor ensino médio público do Brasil, somos o terceiro estado que mais gera emprego no país, e o nosso Produto Interno Bruto (PIB) cresceu acima da média nacional, durante o último trimestre", completa o texto com a assinatura da governadora Raquel Lyra (PSD).

Logo após o caso se tornar público, Pochmann indicou que o IBGE recorreu a parcerias para viabilizar a publicação devido à falta de recursos. O presidente disse que não havia "nenhum ferimento à forma" de tratar as informações.

Em nota divulgada na tarde desta quarta, a presidência do instituto confirmou que Ana Raquel será substituída por José Márcio Batista Rangel, atualmente na coordenação de marketing do órgão.

Conforme a direção, ele foi aprovado no Concurso Público Unificado, é bacharel em jornalismo e publicidade e possui mestrado em ciência da informação, além de especialização em comunicação corporativa.

"Está no serviço público federal desde 2008, atuando na elaboração, tradução, revisão e normalização de documentos técnicos do Arquivo Nacional e do Conselho Nacional de Arquivos", acrescentou a presidência do IBGE, que agradeceu a Ana Raquel e desejou sucesso para o substituto.

Em uma carta a colegas do órgão, a servidora classificou a gestão do instituto como "desastrada" e afirmou que o ambiente interno "tem se degradado progressivamente".

Ana Raquel também indicou que buscará a aposentadoria e afirmou que, apesar da turbulência, o corpo técnico do IBGE continuará produzindo informações "alinhadas, como sempre, aos mais sólidos princípios e metodologias internacionais".

A crise no órgão explodiu no segundo semestre de 2024, quando funcionários passaram a questionar medidas da direção.

A turbulência teve novos episódios neste mês, a partir da exoneração da pesquisadora Rebeca Palis do posto de coordenadora das contas nacionais. A área é responsável pelo cálculo do PIB, que mede o desempenho da atividade econômica.

A próxima divulgação do PIB, relativa ao quarto trimestre e ao acumulado de 2025, ocorre em pouco mais de um mês. Está agendada para 3 de março.

Pelo menos três técnicos entregaram seus cargos de gerência depois da demissão de Rebeca, confirmada no dia 19 de janeiro.

A lista inclui Cristiano Martins (gerente de bens e serviços e substituto da coordenadora), Claudia Dionísio (gerente das contas nacionais trimestrais) e Amanda Tavares (gerente substituta da área).

O movimento foi interpretado por fontes a par do assunto como demonstração de solidariedade a Rebeca.

Em uma das cartas que se tornaram públicas com críticas à gestão Pochmann, pesquisadores declararam que a condução do IBGE ocorria sob "viés autoritário, político e midiático".

Rebeca foi um dos nomes que assinaram o manifesto, divulgado em janeiro do ano passado.

Sem citar a troca nas contas nacionais, Pochmann rebateu na semana passada as acusações de autoritarismo e disse que a sua gestão serve para tomar decisões.

"Muitas vezes o colega fala em determinada decisão: 'Ah, isso é autoritarismo'. Para um pouquinho, vamos estudar então o que foi o IBGE nos anos 1960 e 1970, sob a ditadura militar", afirmou o presidente.

"Quantos colegas do IBGE foram presos, demitidos, perseguidos [na ditadura]? O que era trabalhar numa instituição em que havia censor?", acrescentou.

O sindicato dos funcionários também disse nesta quarta que a equipe comandada por Ana Raquel será transferida de unidade, passando para um endereço do IBGE em Parada de Lucas, zona norte do Rio de Janeiro.

O prédio fica a cerca de 20 km do local atual de trabalho, na região da Tijuca, também na zona norte.

O Assibge declarou que a unidade de Parada de Lucas não reúne condições adequadas de funcionamento porque não teria recebido reformas que seriam necessárias. Servidores também citam preocupação com casos de violência na região.

Pochmann tomou posse em agosto de 2023, após indicação do presidente Lula (PT), de quem o economista é próximo. Ele tem repetido em discursos que a sua gestão busca modernizar o IBGE.

"Sou visto como o cara polêmico, mas, na verdade, estamos repensando a casa", declarou em entrevista recente ao jornal Folha de São Paulo.

O ponto de partida da crise interna em 2024 foi o projeto de criação de uma fundação chamada IBGE+. Seu estatuto abria margem para produção de trabalhos para organizações privadas.

Servidores passaram a questionar a fundação, dizendo que a ideia não havia sido discutida com eles previamente. Críticos apelidaram a proposta de IBGE paralelo. Após os questionamentos, o projeto foi suspenso em janeiro do ano passado.

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