Lula recebeu Vorcaro e Galípolo em reunião no Planalto no fim de 2024
Dono do Banco Master foi ao encontro do presidente acompanhado do ex-ministro Guido Mantega
Por Mariana Brasil/Caio Spechoto/Folhapress
26/01/2026 às 17:32
Atualizado em 27/01/2026 às 00:03
Foto: Reprodução/YouTube
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. O encontro foi antes do escândalo de fraude financeira ser conhecido do público.
Vorcaro foi ao Planalto acompanhando o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, também estava com eles. Mantega tinha uma conversa marcada com o chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Depois, pediu para falar com o presidente.
A reunião foi revelada pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, em março do ano passado, e confirmada pelo jornal Folha de São Paulo à época. Na segunda-feira (26), o portal Metrópoles publicou o nome dos demais participantes, informação comprovada pela reportagem.
Segundo interlocutores, o presidente chamou para conversa os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do hoje presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, à época diretor da autoridade monetária.
Vorcaro teria reclamado com Lula sobre a concentração do mercado bancário no Brasil. Lula teria respondido que o tema deveria ser analisado pelo Banco Central, e pedido que Galípolo analisasse o assunto de forma técnica.
O dono do Master já esteve outras vezes no Planalto. Há ao menos três registros de entrada do banqueiro na portaria da Secretaria de Relações Institucionais, órgão responsável pela articulação política do governo.
O escândalo do Banco Master é um assunto sensível em Brasília também por causa das relações de Vorcaro com políticos.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), foi citado em depoimento pelo dono do Banco Master. Vorcaro disse que conversou com ele algumas vezes. Um dos assuntos teria sido a venda do Master ao BRB, banco estatal de Brasília. A operação foi barrada pelo Banco Central.
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), também é apontado no meio político como próximo a Vorcaro. Ele teria ajudado na negociação entre Master e BRB.
O tema também se tornou delicado no STF (Supremo Tribunal Federal) por causa dos ministros Dias Toffoli, relator do caso, e Alexandre de Moraes.
Parentes de Toffoli foram ligados a um fundo relacionado ao Master. Além disso, o ministro colocou um grau de sigilo elevado sobre o processo em torno do escândalo financeiro.
No caso de Moraes, o desgaste se deve a um contrato de R$ 3,6 milhões mensais do banco com o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci.
O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.
Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito —eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.
Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.
"Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões", afirmou Lula na sexta-feira (23).
