Liquidado, Will Bank não estava na mira da Polícia Federal
Por Stéfanie Rigamonti, Folhapress
22/01/2026 às 16:07
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Braço digital do Master não era investigado, embora peritos não descartem a possibilidade
O Will Bank não é alvo da Polícia Federal nas operações contra o Banco Master, a primeira delas deflagrada em novembro do ano passado, segundo um perito envolvido nas investigações que conversou com a coluna sob condição de anonimato. Investigadores, porém, não descartam essa possibilidade.
Com tração no Nordeste e criado para atender a população de baixa renda, o Will Bank originalmente era da família Piana, empresários do Espírito Santo que lançaram a instituição em 2017.
Quatro anos depois de estrear, a XP e a Atmos Capital fizeram uma rodada de investimento no banco digital e entraram como acionistas minoritários, com fatias de 14,9% e 10%, respectivamente.
Conforme revelou o Painel S.A., no primeiro ano de entrada no banco, a fatia da XP, que investiu na instituição financeira por meio do fundo XP Private Equity I, dobrou de rendimento, passando de R$ 150 milhões para R$ 301 milhões, segundo dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Nos próximos dois anos, porém, essa fatia foi reduzida para R$ 253 milhões.
Foi nesse momento, em março de 2024, que o Banco Master anunciou ao mercado que comprou o controle do Will, adquirindo 75% da família Piana, e se mantendo sócia da XP e da Atmos, que mantiveram participação minoritária igual à anterior.
Conforme pedidos protocolados no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a entrada do Master no negócio aconteceu junto com a Reag Investimentos, que é investigada em duas operações, na Carbono Oculto e na Compliance Zero —nesta última por envolvimento com o Master.
A Reag, na época, adquiriu a Will IP (Instituição de Pagamentos), que era dona do Will Bank, cujo nome legal é Will Financeira.
Os pedidos de compra do Master e Reag aconteceram no mesmo dia. A aprovação no Cade sem restrições, poucos dias depois, veio primeiro ao pedido da Reag de compra da integralidade da Will IP, tanto da fatia de 75% da família Piana como de 25% dos minoritários XP e Atmos.
Depois, o Cade aprovou a compra pelo Master de 75% da Will Financeira, junto com a XP e a Atmos. A transação foi feita de uma forma que as acionistas minoritárias mantiveram a mesma fatia de antes (24,9%), mas se tornaram sócias do Master no Will Bank.
Logo após a operação aprovada, a XP saiu do Will Bank. Na composição da carteira do fundo XP Private Equity I, de setembro de 2024, a exposição ao banco digital aparece zerada e CDBs do Banco Master que totalizaram R$ 401 milhões aparecem no lugar. Na mesma operação de compra dos títulos, a XP vendeu a investidores, em uma mesma leva, R$ 205 milhões em CDBs do Master.
Na época, os tpitulos do Master estavam com rentabilidade muito superior ao padrão do mercado.
Em março de 2025, a corretora comprou mais R$ 180 milhões de CDBs do Master e passou para frente R$ 308 milhões, restando ainda R$ 73,5 milhões em sua carteira. Com isso, o fundo da XP não só recuperou o investimento no Will Bank como lucrou com a operação.
Ainda não há dados na CVM da posição da carteira do fundo em setembro de 2025. Os dados disponíveis da comissão são semestrais.
OUTRO LADO
Em nota, a XP afirmou que a exposição ao Will Bank ocorreu exclusivamente por meio de um de seus fundos de private equity, voltado apenas a investidores qualificados e profissionais.
Ainda segundo a corretora, a venda da participação minoritária foi realizada em 2023, mas aprovada apenas em 2024, "via processo competitivo que atraiu potenciais compradores de diversos segmentos da economia, como parte do ciclo natural de desinvestimentos do fundo".
A XP disse que o processo foi concluído bem antes de se tornarem públicos os eventos recentes envolvendo o Banco Master. "A operação seguiu as melhores práticas de compliance e mercado, e foi integralmente aprovada pelos órgãos reguladores competentes."
