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Exército brasileiro faz acerto para compra de equipamento de defesa antiaérea feito na Itália
Exército brasileiro faz acerto para compra de equipamento de defesa antiaérea feito na Itália
Portaria prevê acordo internacional entre governos brasileiro e da Itália
Por Fábio Pescarini/Folhapress
15/01/2026 às 18:00
Foto: Isac Nobrega/PR/Arquivo
Exército brasileiro
O Exército brasileiro será equipado com um sistema de defesa antiaérea italiano de médias altura e alcance, conforme um acordo de cooperação entre os dois governos.
A decisão integra uma portaria assinada em 22 de dezembro passado pelo general Francisco Humberto Montenegro Júnior, chefe do Estado Maior do Exército, publicada em boletim da Força na sexta-feira (9).
A portaria estabelece diretrizes para a compra e cooperação no desenvolvimento dos equipamentos. Não são citadas datas para contrato.
O município de Jundiaí, no interior de São Paulo, de início será responsável por centralizar a futura defesa antiaérea do Exército no país.
O 12º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha), de Jundiaí, passou a se chamar em julho passado de 12º GAAAe (12º Grupo de Artilharia Antiaérea).
Até 2039, dentro do projeto Força 40 de modernização do Exército, se prevê a conclusão da inédita implantação no país de um sistema de defesa antiaérea de média altura, com mísseis que podem alcançar 15 km de altura (cerca de 50 mil pés) e um raio de até 40 km de distância (podendo chegar a 60 km).
Atualmente, o país conta apenas com defesa antiaérea terrestre de baixa altura, com capacidade de alcance de até 3 km.
Sem falar em valores do investimento —que pode chegar a quase R$ 4 bilhões, segundo pessoas a par do assunto—, a portaria explica que o equipamento a ser adquirido é do grupo multinacional MBDA, que tem a Itália entre suas origens.
Procurado para falar dos custos estimados e prazos, o Exército não respondeu até publicação desta reportagem.
A portaria diz que o sistema italiano Emads (Enhanced Modular Air Defense Solutions ou, na tradução literal, soluções modulares de defesa aérea) usa mísseis CAMM-ER, de alcance estendido, semelhantes aos utilizados pela Marinha em fragatas da classe Tamandaré, que estão em construção em Itajaí (SC).
Entre várias justificativas para a compra, ainda elogia os conjuntos de radares.
O documento também relata históricos de outros acordos bilaterais bélicos entre os dois países, da aquisição dos primeiros submarinos pela Marinha brasileira, em 1914, a aviões da Força Aérea e blindados do Exército.
Ainda conforme o documento, um acordo internacional especifico governo a governo, entre Itália e Brasil, pode permitir melhores condições de financiamento, prazos, manutenção, reposição de peças, e garantia de suporte ao longo de décadas.
Também afirma ter um relatório apontando que o governo italiano possui uma estrutura G2G (governo a governo) para cooperação desenvolvida e madura.
Entre outros, o sistema a ser obtido deverá contar com três baterias antiaérea, uma de comando, para coordenação dos disparos, e duas de mísseis.
Também incluem lançadores de mísseis de oito células.
O documento detalha que o contrato deverá fornecer 60 mísseis por grupo de bateria, sendo que 48 operacionais e 12 para treinamentos.
Inicialmente, 20 militares serão treinados no exterior, mas o acordo prevê a possibilidade de esses treinamentos serem realizados no Brasil.
O Brasil chegou a estudar a compra do alemão IRIS-T SLM/SLS, da Diehl Defence, ou o Aster (SAMP/T), da francesa Eurosam, segundo disse à reportagem em outubro passado o general de Brigada Marcos José Martins Coelho, na época comandante da Defesa Antiaérea do Exército.
O investimento em armamentos de média altura está no papel desde 2012 e foi apontado como imprescindível, segundo uma portaria publicada pelo Exército em julho, com as diretrizes do projeto.
O novo documento foi assinado em meio ao avanço militar dos Estados Unidos na região, que no último dia 3 capturaram o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, que estão presos em Nova York.
"Estamos na fronteira, eles [Venezuela] são um país fronteiriço. Não é o fundamental, não é por isso que nós estamos fazendo [a compra do armamento]. Mas reforça a ideia de que precisamos do equipamento", disse o general o jornal Folha de São Paulo na época, em seu então gabinete no Comando de Defesa Antiaérea do Exército, no Forte dos Andradas, em Guarujá (litoral paulista).
A implantação de defesa aérea terrestre de médias altura e alcance é explicada no documento para solucionar parte do problema representado pela evolução da situação no mundo e no entorno estratégico do país, "caracterizada pela deflagração de conflitos e enfrentamentos de larga escala com a utilização maciça de meios aeroespaciais e vetores de variada gama de possibilidades e de alta letalidade".
