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Dólar abre em queda nesta quarta-feira à espera de discurso de Trump em Davos
Dólar abre em queda nesta quarta-feira à espera de discurso de Trump em Davos
Por Folhapress
21/01/2026 às 09:46
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Às 9h13, a moeda norte-americana caía 0,37%, cotada a R$ 5,3615. Na terça-feira (20), o dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,379
O dólar abriu em baixa nesta quarta-feira (21) com os investidores acompanhando os desdobramentos do anúncio do Banco Central de liquidação extrajudicial da Will Financeira, versão digital do Banco Master.
No cenário internacional, as atenções estão voltadas para o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos. É esperado que o republicano fale sobre a ameaça tarifária sobre oito países europeus e o desejo dos EUA de comprar a Groenlândia.
Às 9h13, a moeda norte-americana caía 0,37%, cotada a R$ 5,3615. Na terça-feira (20), o dólar fechou em alta de 0,29%, a R$ 5,379, e a Bolsa avançou 0,86%, a 166.276 pontos.
O dia foi pautado pelas novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos sobre sobre oito países europeus, que causaram forte instabilidade nos mercados globais.
Juros futuros norte-americanos subiram, enquanto os índices acionários de Wall Street registraram fortes quedas. A escalada de tensões ainda provocou fuga do dólar, enquanto a busca por segurança levou o ouro a romper as máximas históricas, cotado a US$ 4.758 por onça troy.
"O principal vetor do dia foi o comportamento dos juros futuros dos Estados Unidos. Os rendimentos das treasuries, especialmente nos vencimentos mais longos, avançaram e sustentaram um viés mais defensivo global", diz Bruno Botelho, especialista em câmbio da ONE Investimentos.
A treasury de 10 anos, referência global de investimentos, subiu 1,46%, marcando rendimento de 4,295%. Essa alta pressionou os juros futuros do Brasil, especialmente os de prazos mais longos.
A taxa de DI (depósito interfinanceiro) para janeiro de 2028 subiu 0,57%, para 13,215%. A de janeiro de 2031 avançou 0,89%, a 13,6%, e a de janeiro de 2036 teve ganhos de 0,95%, a 13,82%.
O movimento ainda teve de pano de fundo "uma liquidação intensa de títulos do governo japonês, vendidos nas máximas históricas", diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. "Isso levantou uma preocupação a respeito de onde essa realocação de capital pode acontecer, inflando o risco dos negócios."
O movimento no Brasil, porém, contrariou a tendência global. "A divisa dos EUA chegou a oscilar ao longo do dia, refletindo a combinação entre aversão ao risco global e fatores domésticos que ajudaram a limitar uma valorização mais intensa", diz Botelho.
Já a Bolsa registrou um novo recorde histórico, resultado de "fluxo estrangeiro em meio à saída de capitais dos EUA e Europa e com altas de commodities", segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
As ameaças de novas tarifas de Donald Trump sobre parceiros comerciais europeus começaram no final de semana. No sábado (17), o presidente norte-americano prometeu implementar tarifas adicionais de importação de 10% sobre produtos da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido —todos já sujeitos às tarifas impostas no ano passado.
Segundo o republicano, as taxas entrarão em vigor em 1º de fevereiro e serão mantidas até que os EUA tenham permissão para comprar a Groenlândia, ilha ártica da Dinamarca. Essas tarifas aumentarão para 25% em 1º de junho e continuarão até que se chegue a um acordo envolvendo o território, escreveu Trump.
Ele, por outro lado, afirmou que já não pensa mais "puramente na paz", evitando dizer se usaria a força para tomar a ilha, mas reiterando a ameaça tarifária. Nesta terça, ainda ameaçou impor tarifas de 200% aos vinhos e champanhes franceses na tentativa de convencer o presidente da França, Emmanuel Macron, a aderir à sua iniciativa do "Conselho de Paz", que visa resolver conflitos globais.
Do outro lado, o Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos devido às ameaças de Trump.
A União Europeia ainda estuda mais retaliações. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, prometeu nesta terça que a resposta do bloco será "inabalável" e "proporcional".
No momento, os europeus avaliam um pacote de tarifas sobre 93 bilhões de euros (R$ 581 bilhões) de importações dos EUA, que poderia entrar em vigor automaticamente em 6 de fevereiro, após uma suspensão de seis meses.
Outra opção estudada é acionar o "Instrumento Anti-Coerção" (ACI), nunca utilizado até o momento, que poderia limitar o acesso a licitações públicas, investimentos ou atividades bancárias, ou restringir o comércio de serviços, no qual os EUA têm um superávit com o bloco, incluindo serviços digitais.
Os europeus terão uma reunião na quinta-feira (22) para deliberar sobre a resposta às ameaças de Trump.
O dia também esteve embalado pela expectativa em torno do novo nome para o comando do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). O mandato do atual presidente, Jerome Powell, encerra em maio, em meio às tensões crescentes entre ele e Trump em torno do atual patamar de juros.
Powell não tem atendido às demandas de Trump por taxas mais baixas e diz que as decisões de política monetária do comitê do banco central são tomadas a partir da análise de dados econômicos, não por pressão política.
Trump disse estar inclinado a nomear o ex-diretor do Fed, Kevin Warsh, ou o diretor do Conselho Econômico Nacional, Kevin Hassett, para o cargo. "Os dois Kevins são muito bons", disse Trump. "Tem outras pessoas boas. Anunciarei algo nas próximas semanas."
Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, Trump pode chegar a uma decisão na próxima semana. "Estamos agora com quatro candidatos", afirmou em uma entrevista à CNBC.
Os outros dois nomes cotados são o diretor do Fed, Christopher Waller, e o gerente-chefe de investimentos em títulos da BlackRock, Rick Rieder.
