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Depois de conversa com Trump, prefeito de Minneapolis diz que parte do ICE vai deixar cidade
Depois de conversa com Trump, prefeito de Minneapolis diz que parte do ICE vai deixar cidade
Jacob Frey afirma que cidade vai cooperar com investigações de criminosos, mas não vai participar de prisões
Por Isabella Menon/Victor Lacombe/Folhapress
26/01/2026 às 21:35
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O prefeito de Minneapolis, o democrata Jacob Frey, divulgou que, após uma conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi acertado que "alguns agentes vão começar a deixar a região amanhã". A informação, não confirmada pela Casa Branca, foi publicada nas redes sociais do prefeito na noite desta segunda (26).
A conversa entre o prefeito e o presidente aconteceu após a segunda morte provocada por um agente federal na cidade. No sábado (24), Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação. Poucos minutos depois do caso, o governo Trump afirmou que Pretti havia ameaçado os policiais, porém vídeos da cena não comprovam essa versão.
Frey, que já havia solicitado a retirada do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) da cidade após a morte de Renee Good, no início de janeiro, passou a endurecer o discurso desde sábado. A região tem registrado ainda um aumento nos protestos contra a presença dos agentes de imigração.
Nas redes, o prefeito afirmou que vai continuar tentando garantir a saída de todos os responsáveis pela operação. "Minneapolis vai continuar a cooperar com o estado e forças de Justiça federais em investigações criminais reais, mas nós não vamos participar de prisões inconstitucionais dos nossos vizinhos ou executar a lei de imigração federal", escreveu o democrata.
Ainda no comunicado, ele disse que vai continuar "trabalhando em todos os níveis para manter a segurança da comunidade, as taxas de crimes baixas e para colocar os residentes de Minneapolis em primeiro lugar". "Eu vou me encontrar com o Tomar Homan [encarregado das fronteiras, que deve assumir o controle do ICE na cidade]", afirmou o prefeito.
O governo Trump tem recebido uma série de críticas devido à ação dos agentes até mesmo de dentro do Partido Republicano. O senador Bill Cassidy, republicano da Louisiana, definiu a morte de Alex Pretti como "extremamente perturbador". "A credibilidade do ICE e DHS [Departamento de Segurança Interna] estão em risco. Deve haver uma investigação conjunta completa, conduzida por autoridades federais e estaduais, na qual possamos confiar para apresentar a verdade ao povo americano".
Já Chris Madel, republicano que ia concorrer ao governo de Minnesota, retirou sua candidatura e criticou o ICE. "Não posso apoiar a retribuição prometida pelos republicanos nacionais contra os cidadãos do nosso estado, nem posso me considerar membro de um partido que faria isso."
Pelas redes, Trump também confirmou a conversa com o prefeito, mas não detalhou o que foi discutido e apenas disse que "muito progresso foi realizado" e que o encontro com Frey com Homan deve acontecer nesta terça-feira (27).
Mais cedo, o presidente, em uma publicação na sua rede social, a Truth Social, disse que teve uma "conversa muito boa" com o governador de Minnesota, Tim Walz, e que os dois estavam "na mesma frequência".
A conversa entre Trump e Walz, que foi confirmada pelo presidente, teve seu teor discutido horas mais tarde pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Em entrevista a jornalistas, ela afirmou que Trump havia dito em telefonema com o governador de Minnesota que o governo federal só diminuiria a presença de agentes de imigração no estado se as autoridades locais cooperarem com as deportações em massa de imigrantes.
"Hoje, o presidente delineou um plano simples e concreto para restabelecer a lei e a ordem em Minnesota", disse Leavitt. "Primeiro, o governador Walz, o prefeito [Jacob] Frey e todos os líderes democratas devem entregar ao governo federal todos os estrangeiros ilegais criminosos que estão presos, assim como os estrangeiros com mandados em aberto e antecedentes criminais".
Se isso se concretizar, será o fim do status de santuário para cidades no estado, caso de Minneapolis. Nos EUA, cidades santuário são locais governados por democratas que não cooperam com operações de imigração sob o argumento de que elas atrapalham o trabalho da polícia local e minam a confiança entre imigrantes e autoridades.
A prática é bastante diferente daquela em estados governados por republicanos, nos quais o ICE tem livre acesso a cadeias e bancos de dados para procurar estrangeiros presos ou com antecedentes criminais a fim de deportá-los. A busca considera até mesmo infrações não violentas, como multas de trânsito, para encontrar estrangeiros passíveis de expulsão.
"Segundo, no futuro, a polícia local deve concordar em entregar [para forças federais] todos os estrangeiros ilegais que sejam presos", continuou Leavitt. "E terceiro, a polícia local deve auxiliar os agentes federais na prisão de estrangeiros ilegais criminosos", afirmou a porta-voz, dizendo que, se essas três condições forem cumpridas, a presença de agentes do CBP, a agência de proteção de fronteiras, "não será mais necessária" —insinuando que o ICE, mesmo nesse cenário, permaneceria no estado.
As operações em Minnesota do ICE e do CBP causam revolta em habitantes e caos nas ruas de Minneapolis há semanas. Dois cidadãos americanos foram mortos por agentes federais em menos de um mês: Renee Nicole Good, no dia 7, e o enfermeiro Alex Pretti, no último sábado (24). Nos dois casos, o governo Trump culpou as vítimas por suas próprias mortes, dizendo que Renee tentou atropelar um agente e que Pretti, que estava armado, mas não sacou sua pistola, era um "terrorista doméstico".
Nesta segunda, Leavitt não repetiu os ataques e evitou chamar Pretti de terrorista, mas disse repetidas vezes que a mídia e a esquerda democrata demonstram hipocrisia ao supostamente lamentar essas mortes e não outras. "Ninguém na Casa Branca gosta de ver pessoas machucadas ou mortas, e isso inclui Renee Good, Alex Pretti, agentes federais e as dezenas de vítimas de imigrantes ilegais criminosos".
"E precisamos ser claros a respeito das circunstâncias [da morte de Pretti]. Essa tragédia aconteceu graças à resistência hostil e deliberada de líderes democratas em Minnesota", afirmou a porta-voz da Casa Branca, dizendo que a retórica da oposição coloca agentes do ICE em perigo.
"Comparar [o serviço de imigração] com a Gestapo nazista, chamá-lo de 'a polícia de Donald Trump', é desprezível, é vergonhoso e é o que levou à escalada de tensões em Minneapolis e em tantos outros lugares no país", disse Leavitt, que pediu que o Congresso americano aprove uma lei proibindo a não-cooperação de governos locais com as autoridades imigratórias.
