CSN diz que avaliação sobre venda de ativos está em fase inicial
Por Pedro Lovisi, Folhapress
28/01/2026 às 14:27
Foto: Fábio Guimas/Arquivo
Segundo comunicado a investidores, ainda não há decisão sobre a estratégia a ser adotada
Em um comunicado divulgado a investidores na terça-feira (27), a CSN disse que avalia alternativas para gerar caixa à empresa e descartou que a decisão de vender todos os seus ativos siderúrgicos já tenha sido tomada. O aviso responde a um ofício registrado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que pedia informações sobre o tema.
O assunto chegou à autarquia depois da publicação de uma reportagem do jornal Valor Econômico que apontava que a CSN já vinha sondando concorrentes sobre um eventual interesse deles em comprar seus ativos siderúrgicos. O texto diz que em breve a empresa deve contratar um banco para assessorá-la nesse desinvestimento.
No comunicado, a CSN diz que a reportagem teve como base um fato relevante publicado pela empresa no último dia 15, quando a companhia informou que pretende, ainda neste ano, iniciar a venda de ativos importantes do grupo com o objetivo de desalavancar entre R$ 15 a R$ 18 bilhões. Na ocasião, a CSN informou que pretende se concentrar nos segmentos de "maior rentabilidade, crescimento e sinergias."
Segundo a empresa, no entanto, "o estágio atual envolve a avaliação de alternativas/parcerias com foco na maximização da geração de caixa no curto prazo". Não há, ainda de acordo com a CSN, até o momento, qualquer conclusão que exija uma comunicação formal por parte da companhia.
"Como a própria matéria informou, nem mesmo o assessor financeiro foi contratado para essa operação específica, o que evidencia o estágio ainda inicial dessa avaliação", afirmou a empresa no comunicado.
"Sobre a informação de que já existem eventuais compradores e participações definidas a serem objeto de desinvestimento, trata-se de mera especulação, uma vez que não existe, por ora, avanço significativo para um projeto que acabou de ser anunciado", acrescenta.
A reportagem do Valor chama atenção, principalmente, porque a produção de aço é o ativo-mãe da CSN. A empresa foi criada ainda no governo de Getúlio Vargas, como parte das políticas desenvolvimentistas do então presidente.
Nos últimos anos, no entanto, o setor de aço da CSN tem visto suas margens reduzirem, enquanto o de mineração tem sido o responsável por elevar as margens da empresa. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, a margem Ebitda (principal índice do mercado financeiro para calcular a rentabilidade de um negócio) do negócio siderúrgico da CSN foi de 8,1%, enquanto o de mineração de 43,9%. A empresa também tem braços de logística, energia e cimento.
De acordo com uma pessoa que acompanha as operações da CSN de perto, os ativos da companhia em Volta Redonda —onde ela opera uma de suas plantas— precisam ser modernizados para garantir que a empresa consiga continuar competitiva, principalmente frente à crescente importação de aço chinês no país. Essas obras, segundo essa pessoa, custariam cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões).
