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Bolsa dispara 3% e chega a 171 mil pontos com discussões sobre Groenlândia; dólar cai
Bolsa dispara 3% e chega a 171 mil pontos com discussões sobre Groenlândia; dólar cai
Investidores repercutem recuo de Trump sobre imposição de tarifas a países europeus; dólar caiu 1%
Por Tamara Nassif/Folhapress
21/01/2026 às 18:15
Foto: Divulgação/Arquivo
Bolsa de Valores
A Bolsa de Valores brasileira está em disparada nesta quarta-feira (21), com atenções voltadas para as discussões sobre o interesse dos Estados Unidos em comprar a Groenlândia, território dinamarquês.
No cenário doméstico, investidores repercutem a pesquisa eleitoral Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã, que mostrou uma redução na vantagem do presidente Lula (PT) sobre os candidatos Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em um eventual segundo turno.
Às 17h27, o Ibovespa marcava disparada de 3,23%, a 171.656 pontos, em meio à forte entrada de capital externo. No melhor momento do dia, chegou a 171.809 pontos. O patamar de 171 mil pontos é inédito para o índice, que renovou o recorde histórico pelo segundo dia consecutivo na terça-feira, quando fechou em 166.276 pontos, e caminha para nova máxima nesta quarta.
Já o dólar fechou em queda de 1,11%, cotado a R$ 5,319.
Em postagem na rede Truth Social nesta tarde, o presidente Donald Trump retirou a possibilidade de impor tarifas a diversos países da União Europeia após afirmar que um acordo sobre a Groenlândia está próximo.
"Formamos a estrutura de um acordo futuro em relação à Groenlândia e, na verdade, a toda a região do Ártico", escreveu. "Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro."
A fala sucede o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, pela manhã. Aos presentes, ele descartou o uso de força para controlar a ilha ártica. "As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso", disse ele. "Eu não quero e não usarei força."
O anúncio de um princípio de acordo entre os norte-americanos e os europeus fez a Bolsa brasileira acelerar a disparada para mais de 3%. Na prática, foi um recuo das ameaças tarifárias que tomaram as mesas de negociação desde o final de semana. Antes, o Ibovespa já estava envolto na percepção de que Trump estava moderando o tom ao descartar o uso de poderio bélico para tomar a ilha.
"Quando as tensões aumentam entre Estados Unidos e Europa, o mercado global adota cautela. Os investidores passam a revisar risco, reduzir a exposição a mercados supervalorizados e buscar alternativas onde o preço compensa o risco", diz Adriana Ricci, fundadora da SHS Investimentos.
Os Estados Unidos, diz ela, vivem um cenário de "Bolsa cara", onde os valores dos ativos já estão "esticados", isto é, rondando máximas históricas. Os juros por lá ainda seguem elevados, mas rodeados de incertezas políticas e comerciais por causa dos movimentos do governo Trump. A Europa, por outro lado, enfrenta anos de crescimento fraco e desafios fiscais.
"O dinheiro global não sai do sistema. Ele muda de endereço. Parte desse fluxo de investimentos que está saindo dos mercados americanos e europeus está vindo para o Brasil nesta quarta, puxando o Ibovespa para disparada".
Na visão de Luiz Ormeneze, sócio da Manchester Investimentos, o Brasil se destaca por características próprias, como o elevado diferencial de juros, a exposição a commodities e preço atrativo das companhias listadas. A Petrobras, por exemplo, está em alta de mais de 4% nesta sessão e registra o maior valor de mercado desde abril do ano passado.
"Esse movimento é potencializado pelo fato de que a alocação em mercados emergentes segue em níveis historicamente baixos nos portfólios globais, o que abre espaço para a continuidade do fluxo para países líquidos e bem posicionados, como o Brasil", afirma.
O recuou de Trump fez com que alguns investidores migrassem de volta para as praças acionárias norte-americanas. O S&P500 passou a disparar 1,5%, seguido por Nasdaq (1,36%) e Dow Jones (1,26%).
No câmbio, pesa ainda a queda dos rendimentos das treasuries, os títulos do Tesouro dos EUA, e a estabilização dos títulos japoneses, que "tiram um pouco a pressão vista na véspera sobre as divisas emergentes", diz Marcio Riauba, chefe da mesa de operações da StoneX Banco de Câmbio.
Ainda, a pesquisa Atlas/Bloomberg desta manhã também torna os ativos domésticos atrativos para o investidor estrangeiro. O levantamento mostrou que o presidente Lula segue liderando todos os cenários de intenção de voto nas eleições deste ano. No entanto, a diferença para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diminuiu.
Simulando um segundo turno, a distância entre Lula e Flávio caiu para 4 pontos percentuais, mesma diferença em uma eventual disputa contra Tarcísio. A pesquisa aponta para um cenário em que candidatos "pró-mercado" —isto é, com uma agenda comprometida com o equilíbrio fiscal e com maior previsibilidade na condução da política econômica— estão ganhando espaço, abrindo possibilidade para uma alternância de poder a partir do próximo ano.
"Antes, tudo indicava que Flávio não era um candidato competitivo, e agora vemos, pela primeira vez, uma diferença curta entre ele e Lula. Para o mercado, já começa a ser um indicativo de possível troca no governo", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
"O discurso de Trump em Davos e a pesquisa eleitoral estão criando esse momento positivo para a Bolsa nesta quarta".
