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Banco Central abre investigação interna para apurar processo de crescimento e liquidação do Master
Banco Central abre investigação interna para apurar processo de crescimento e liquidação do Master
Por Alvaro Gribel/Estadão
29/01/2026 às 09:11
Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil
Sede do Banco Central
O Banco Central abriu um processo interno para apurar o crescimento acelerado e a posterior liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzido pela corregedoria do BC.
O ex-diretor de Fiscalização do banco Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandou a diretoria de 2019 a 2023, foi afastado do cargo, por decisão de Galípolo, uma semana depois da liquidação, e depois pediu para sair do cargo.
O mesmo ocorreu com o chefe do departamento de Supervisão Bancária Belline Santana. Não há acusação, contudo, contra os servidores. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.
Não há prazo para o fim da investigação por parte da corregedoria, que tem autonomia para conduzir o caso. O objetivo da medida é tentar entender o que aconteceu com o Master, e como o Banco Central pode reforçar a sua governança interna de fiscalização.
Do final de 2019 ao fim de 2024, o Master (então banco Máxima) deixou de ser um banco com R$ 3,7 bilhão em ativos para alcançar R$ 82 bilhões, em valores nominais, sem considerar a inflação, de acordo com dados do Banco Central.
Segundo relatório da agência Moody’s, o crescimento do banco foi de 40% ao ano em 2019, chegando a 100% em 2024 — ano em que dobrou de tamanho. “Em menos de quatro anos, o Master se tornou a 25ª maior instituição financeira do Brasil, em junho de 2024, quando era a 77ª em 2021″, diz a agência.
Em meio ao crescimento acelerado do banco de Daniel Vorcaro, o BC detectou uma série de irregularidades na instituição, como insuficiência de capital, inexistência de ativos líquidos na composição de fundo de liquidez que dava amparo às operações estruturadas de longo prazo e o não atendimento de normas relativas ao gerenciamento do risco de crédito.
Como mostrou o Estadão, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto sabia dos graves problemas de liquidez enfrentados pelo Master durante a sua gestão (2019-2024) à frente da autoridade monetária, mas evitou tomar medidas mais extremas contra o banco. Procurado, Campos Neto não se pronunciou.
À época, havia a expectativa de que o Master tivesse ativos que pudessem ser revendidos ao mercado, dentro da lógica de separação do “good bank” (parte boa do Master) e o “bad bank” (ativos podres). Assim, o custo para o sistema financeiro e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seria menor.
O Estadão apurou que pelo menos duas vezes Campos Neto teria atuado para evitar uma intervenção ou liquidação do Master ao longo do ano de 2024, seu último ano à frente do BC: uma primeira em março e outra em novembro.
Campos Neto chegou a dar uma espécie de ultimato informal até março de 2025 para se encontrar uma “solução definitiva”, segundo apurou a reportagem. A decisão sobre a liquidação acabou sendo executada pelo atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado.
