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Remover Coronel parece ter sido fácil, mas e... o eleitor?, por Raul Monteiro*
Remover Coronel parece ter sido fácil, mas e... o eleitor?, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
18/12/2025 às 09:14
Atualizado em 18/12/2025 às 14:10
Foto: Roque de Sá/Arquivo/Agência Senado
Angelo Coronel
Raul Monteiro*
O PT baiano encerra 2025, preparatório do ano eleitoral de 2026, tendo excluído informalmente o senador Angelo Coronel (PSD) da chapa com que Jerônimo Rodrigues (PT) vai concorrer à reeleição ao governo do Estado. Não houve comunicado nem nota de esclarecimento mas é o que se percebe claramente a partir de dois fatos: a decisão do senador Otto Alencar, controlador do PSD, de indicar um filho ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado e um post recente do senador Jaques Wagner (PT) no qual apaga claramente a figura de Coronel da relação de membros com que o grupo deve encarar a eleição majoritária.
Ficou claro que, ao priorizar o filho na negociação com o PT, Otto rifou Coronel, que esperava contar com o apoio do 'amigo-irmão' na batalha que precisaria travar para permanecer na chapa governista. Wagner, por sua vez, acabou explicitando que o senador do PSD não está no rol dos aliados de primeira linha com os quais o PT deva compartilhar o poder. Pelo contrário, o que conta agora são os puros-sangue, modelo a ser utilizado para montar a chapa do ano que vem, em que devem prevalecer Jerônimo, na cabeça, e ele próprio e o ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, outro petista, como candidatos ao Senado.
Não é a primeira vez que o PT lima um membro de seu grupo numa disputa majoritária. Há sete anos atrás a então senadora Lídice da Mata (PSB) sentiu o peso da navalha petista no pescoço quando ensaiou ter o direito de permanecer na chapa na qual tinha sido eleita oito anos antes. Perdeu o espaço para Coronel, hoje vítima da mesma régua de escolha do partido, que se sente dono da eleição dos dois aliados. A bem da verdade, não há comparativo entre o comportamento político de Lídice e o de Coronel. Enquanto ela sempre foi submissa aos líderes do grupo, Coronel nunca se privou de exercer sua liberdade enquanto senador.
Mas não é apenas a autonomia com que Coronel transita em Brasília e na Bahia que preside a decisão petista de isolá-lo, deixando-lhe a porta de saída como serventia do grupo. O que está por trás da medida, bastante arriscada, por sinal, de ocupar três das quatro vagas da chapa majoritária com petistas é o rompimento de parte de um acordo que Wagner firmou lá atrás, por ocasião do conturbado processo que resultou na escolha de Jerônimo para disputar o governo do Estado. Naquele momento, o senador fez um apelo para Rui coordenar a campanha do ex-auxiliar em troca de sua indicação ao Senado em 2026.
Para reforçar o convencimento, Wagner assegurou que não pretendia mais disputar a reeleição. O rompimento do compromisso, que firmou na frente de, entre outros, a própria Lídice, está no cerne da operação que envolve hoje o afastamento de Coronel. O primeiro obstáculo, Otto, foi removido sob a inspiração do conhecido ditado 'quem meu filho beija, minha boca adoça'. Mas um segundo muito mais poderoso que, enebriados pelo poder, os petistas parecem estar desconsiderando, está à porta: o eleitor. Terá força suficiente uma chapa com estas características para enfrentar ACM Neto (União Brasil) num momento de clamor por mudanças?
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
