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PF cita 'declarações de carinho' entre juiz preso e Bacellar: 'Irmão de vida'

PF cita 'declarações de carinho' entre juiz preso e Bacellar: 'Irmão de vida'

Macário Ramos Júdice Neto foi preso por decisão de Moraes; defesa diz que ministro foi induzido a erro

Por José Marques/Folhapress

16/12/2025 às 18:20

Foto: Reprodução/Rede Globo

Imagem de PF cita 'declarações de carinho' entre juiz preso e Bacellar: 'Irmão de vida'

O juiz federal Macário Ramos Júdice Neto, do TRF-2, preso pela PF

A Polícia Federal apontou que o juiz do TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) Macário Ramos Júdice Neto foi o possível foco do vazamento de informações sigilosas ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ), presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Bacellar, segundo as investigações, teria repassado informações sobre a operação policial ao ex-deputado do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, que está preso sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.

Júdice Neto, que foi preso preventivamente (sem tempo determinado) nesta terça-feira (16), era o relator da operação que expediu o mandado de prisão contra TH Joias, na chamada Operação Zargun.

A decisão da prisão do magistrado foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Ele também afastou o magistrado e enviou os autos para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Mensagens obtidas em aparelhos apreendidos apontam, segundo a PF, "relação de intimidade entre Rodrigo Bacellar e o desembargador Macário Júdice Neto".

A análise policial diz que isso "chamou a atenção em razão das palavras de afeto e troca de declarações efusivas de carinho, que denotam confiança e lealdade".

Segundo a PF, os diálogos apontam que houve um encontro entre Bacellar e o magistrado em churrascaria no aterro do Flamengo na véspera da Zargun, em 3.set.2025, "permitindo-se concluir que Bacellar e Macário provavelmente estavam juntos quando TH Joias enviava mensagens a Bacellar sobre sua evasão e destruição de provas".

Também são usados outros exemplos de intimidade entre o presidente da Alerj e o magistrado. Em 23.out.2025, por exemplo, as mensagens mostram Bacellar dizendo para Júdice Neto "Vc é irmão de vida" e "Não se desgate por nada pq o melhor não temos irmão que é amizade pra vida e reciprocidade".

Os dois mandavam figurinhas sobre amizade e diziam "eu te amo" um para o outro. Em um momento, Bacellar diz ao juiz: "Vc eu levo pro caixão, meu irmão, nunca duvide disso".

Um encontro do juiz com o cantor Belo foi usado como exemplo da relação com o parlamentar.

"A Polícia Federal ressaltou a relação de amizade entre Rodrigo da Silva Bacellar e cantor e artista Marcelo Pires Vieira ("Belo"), inclusive salientando que ambos têm proximidade pessoal com o desembargador", diz trecho da decisão de Moraes.

"Identificou-se, também, mensagem em que o cantor e artista Marcelo Pires Vieira ("Belo") encaminhou mensagem para Rodrigo da Silva Bacellar —em 6/8/2025, às 17h35—, afirmando que encontrou Macário Ramos Júdice Neto em um shopping e enviou uma foto com os dois", afirmou o ministro.

A representação da PF ainda afirma que a esposa de Júdice Neto foi nomeada para atuar na diretoria-geral da Alerj na mesma época em que ele retornou à magistratura.

Júdice Neto ficou por quase 18 anos afastado da magistratura por suspeita de venda de decisões e envolvimento com o jogo do bicho. Segundo a polícia, ele foi reintegrado após a prescrição de um processo disciplinar e, automaticamente, promovido para o tribunal.

A defesa do juiz federal, por meio do advogado Fernando Augusto Fernandes afirma que "o ministro Alexandre de Moraes foi induzido a erro ao determinar a medida extrema".

Fernandes afirma que apresentará os esclarecimentos nos autos e vai pedir a imediata soltura de Júdice Neto.

Bacellar chegou a ser preso no início de dezembro devido ao caso, mas a Alerj decidiu por sua soltura. Ele pediu licença de seu mandato e só deve voltar em 2026 ao cargo.

Bacellar foi alvo novamente de busca e apreensão na operação desta terça. O chefe de gabinete dele também foi alvo de busca e apreensão em sua residência, em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense.

Em nota, os advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, que atuam na defesa de Bacellar, afirmaram que o parlamentar sempre se colocou à disposição para "evidenciar seu não envolvimento nos fatos noticiados, prestando todos os esclarecimentos necessários". Ainda segundo a defesa, ele comunicou à PF seu novo endereço quando prestou depoimento.

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