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Governo deve buscar perfil combativo para substituir Lewandowski na Justiça

Governo deve buscar perfil combativo para substituir Lewandowski na Justiça

Ministro da Justiça conversou há poucos dias com presidente da República sobre deixar o cargo

Por Caio Spechoto/Folhapress

26/12/2025 às 21:40

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil/Arquivo

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Lula e Ricardo Lewandowski

A saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, do cargo foi pactuada com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), há poucos dias. O ministro conversou com o chefe de governo e relatou o desejo de sair, apurou a reportagem. O petista disse que entendia a vontade de Lewandowski e afirmou que pensaria em um substituto.

A cúpula do governo percebe, há meses, cansaço no chefe da Justiça. Apesar disso, a saída do ministro não é imediata. O mais provável é que Lewandowski deixe o cargo nas primeiras semanas de 2026.

Parte da cúpula do governo ainda vê chance de a mudança ser postergada até a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que reorganiza as atribuições do governo federal e dos estados na segurança pública. Não é possível, porém, dizer quando esse projeto será votado pelo Congresso.

Há, no entorno do presidente da República, grupos que defendem uma mudança no perfil de quem comandará a pasta. Principalmente se ela for divida em um Ministério da Justiça e outro da Segurança Pública –hoje as duas áreas estão sob o comando de Lewandowski.

Para esses setores, falta alguém de perfil combativo em posição de destaque no governo para disputar a pauta da segurança junto à opinião pública. O assunto é tradicionalmente dominado por forças políticas de direita, adversárias de Lula.

Na avaliação de quem defende um novo ministro mais aguerrido, o governo federal tem tido ações de impacto no combate ao crime organizado, com operações contra lavagem de dinheiro e sonegação de impostos como a Carbono Oculto, e é necessário reivindicar de forma mais veemente o mérito dessas medidas para a gestão Lula.

A importância de disputar a opinião pública em torno da segurança se torna ainda maior em ano eleitoral, como 2026. É consenso no mundo político de que o tema deverá ser um dos principais da eleição para presidente da República. Esse é um dos assuntos favoritos de políticos linha-dura de direita, adversários de Lula em sua busca por reeleição.

No primeiro ano de governo, a função de embate político cabia a Flávio Dino, hoje ministro do STF (Supremo Tribunal Federal). Ao escolher Lewandowski para a pasta, em janeiro de 2024, o presidente da República optou por alguém de perfil mais discreto.

A avaliação, naquele momento, era de que o principal problema a ser resolvido no país era econômico, e que não havia necessidade de um protagonismo do ministro da Justiça. Agora o foco do eleitorado está na segurança pública.

O fim de ano poderá atrasar a definição de Lula sobre o substituto de Lewandowski. O presidente da República deixou Brasília para passar o natal com família em São Paulo. A virada de ano será na Restinga da Marambaia, área militar no litoral do Rio de Janeiro. Lula só retorna à capital federal em 2026.

Apesar disso, já começam a surgir nomes especulados para substituir Lewandowski. Um dos citados é o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Manoel Carlos de Almeida Neto. Governistas ressalvam que ele, um nome mais jovem, talvez não tenha força para vencer a disputa pelo cargo.

Também é mencionado o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele, porém, já disse a aliados que não deve assumir nenhum posto no governo.

Pacheco foi preterido por Lula na indicação para uma vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal). O presidente da República escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias, em vez do senador, que passou a indicar que encerrará sua carreira política.

Messias também é mencionado como um possível sucessor de Lewandowski. Nesse caso, porém, Lula teria que retirar a indicação ao STF. O presidente foi pressionado pelo Senado para rever a indicação, mas não deu nenhum sinal de que faria isso.

O petista avalia que indicar ministros para o Supremo é uma prerrogativa da Presidência da República que não deve estar sujeita a interferências externas. Voltar atrás na escolha de Messias iria contra esse princípio.

As fontes que citaram esses três nomes ressalvaram que não houve um sinal de Lula sobre o assunto –e que ele pode tomar qualquer decisão, inclusive buscar uma quarta pessoa para o posto. Além disso, todos os citados têm perfil discreto, sem a combatividade buscada por setores do governo para disputar o eleitorado.

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