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Fundador do PT deixa presidência da Perseu Abramo e cobra renovação do partido

Fundador do PT deixa presidência da Perseu Abramo e cobra renovação do partido

Paulo Okamotto diz que sigla precisa inovar práticas e métodos para voltar a encantar brasileiros

Por Diego Alejandro/Folhapress

29/12/2025 às 18:30

Foto: Divulgação/Comunicação do MST

Imagem de Fundador do PT deixa presidência da Perseu Abramo e cobra renovação do partido

Paulo Okamotto, agora ex-presidente da Fundação Perseu Abramo

Aliado histórico do presidente Lula e fundador do PT, Paulo Okamotto renunciou à presidência da Fundação Perseu Abramo, cargo para o qual havia sido eleito com mandato até 2028.

A decisão foi anunciada durante o lançamento do 8º Congresso Nacional do PT, na sede do partido em Brasília, no início do mês. À coluna, Okamotto afirma que a saída foi um gesto político dirigido ao partido, com o objetivo de forçar um debate interno sobre renovação de práticas, métodos e formas de organização da sigla.

Segundo ele, enquanto permanecesse no cargo, a discussão sobre o papel da fundação ficaria travada. "O partido não pode se acomodar", diz. Para Okamotto, o fato de a primeira reação à sua renúncia ter sido a pergunta sobre quem ocuparia o posto evidencia o problema. "A questão não é quem fica, mas o que a fundação deve ser."

A Fundação Perseu Abramo é o centro de estudos e formação política do PT, responsável por pesquisas, propostas, debates e capacitação de quadros partidários.

A partir de 1º de janeiro, o vice-presidente Brenno Almeida assume interinamente a presidência da instituição até que o PT decida quem ocupará o cargo de forma definitiva.

Okamotto avalia que o PT passou recentemente por uma renovação de sua direção nacional, mas afirma que a simples troca de nomes é insuficiente. Defende mudanças mais profundas, que envolvem comportamento, práticas internas e a forma como o partido se organiza para analisar a sociedade e exercer direção política.

Ele diz não ter conflitos com a diretoria nem com os funcionários da fundação e afirma ter contado com apoio interno. O impasse, segundo ele, está entre o discurso que defende publicamente e a dinâmica atual da sigla. "Eu defendo que o partido tem que inovar, tem que fazer coisa disruptiva", afirma.

A renúncia também ocorre após um episódio envolvendo o Ministério Público, que barrou a prorrogação temporária do mandato da direção da fundação, mesmo com aval do diretório nacional do PT. A eleição acabou sendo realizada, mas Okamotto sustenta que o entendimento interno era de que caberia à nova direção partidária redefinir os rumos da entidade.

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