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Cultura usa novas regras de fiscalização para livrar empresa suspeita de fraudes na Lei Rouanet
Cultura usa novas regras de fiscalização para livrar empresa suspeita de fraudes na Lei Rouanet
Por Redação
28/12/2025 às 15:00
Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil
Margareth Menezes
O Ministério da Cultura utilizou novas regras de fiscalização para reconhecer a prescrição de prestações de contas de uma empresa suspeita de fraudes na Lei Rouanet. Um parecer elaborado no mês passado aponta que expirou o prazo legal para a pasta analisar projetos da Parnaxx, empresa do Paraná que recebeu parte de R$ 39,8 milhões em recursos públicos e é alvo de investigações por supostos desvios. A reportagem é do Estadão.
O documento, anexado a um processo judicial, cita instruções normativas editadas em 2024 e 2025 pela gestão da ministra Margareth Menezes, consideradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como um afrouxamento do controle sobre gastos culturais. Com base nessas regras, a Parnaxx pede o encerramento de processos administrativos, alegando insegurança jurídica diante da demora na análise das contas.
Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram uma série de irregularidades, como uso de notas fiscais inválidas, duplicidade de documentos, serviços não prestados, autopagamentos e falhas em contrapartidas sociais. Apesar disso, a Polícia Federal afirmou não ter encontrado indícios de desvio intencional de recursos, argumento usado pelo Ministério da Cultura para defender o reconhecimento da prescrição e o arquivamento dos casos.
O parecer técnico sustenta que manter processos abertos por mais de uma década fere o princípio da eficiência administrativa e gera insegurança tanto para o poder público quanto para os parceiros privados. Ainda assim, o próprio documento ressalva que eventuais ações do TCU ou da CGU podem ter interrompido os prazos prescricionais, o que precisa ser confirmado.
A empresa afirma que sempre esteve à disposição das autoridades e que a demora do governo em analisar as contas não pode resultar em punições indefinidas. O pedido de liminar para encerrar os processos foi negado pela Justiça Federal de Curitiba, e o caso segue em tramitação.
