Bolsonaro escolhe Flávio como candidato à Presidência para 2026
Anúncio foi feito por senador, que conversou com o pai na terça na sede da PF, em Brasília
Por Carolina Linhares/Thaísa Oliveira/Raphael Di Cunto/Folhapress
05/12/2025 às 15:30
Foto: Pedro França/Folhapress
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta sexta-feira (5) ter sido escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como candidato do grupo para disputar a Presidência da República nas eleições do ano que vem.
Ele avisou aliados e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), antes do anúncio, consolidado após visita ao pai na prisão na terça-feira (2), na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Os dois conversaram por cerca de meia hora.
O senador viajou para São Paulo nesta quinta-feira (4) para informar a decisão de Bolsonaro ao governador de São Paulo.
A escolha de Flávio foi revelada inicialmente pelo portal Metrópoles e, nesta tarde, o senador publicou um texto em suas redes sociais dizendo que não vai ficar de braços cruzados.
"É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação", escreveu.
"Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão. E sei que Ele irá à frente, abrindo portas, derrubando muralhas e guiando cada passo dessa jornada".
A escolha de Flávio mantém o sobrenome Bolsonaro em evidência —atenuando o receio do ex-presidente de ser esquecido pelo centrão enquanto cumpre pena em regime fechado por tentativa de golpe de Estado.
Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo em junho, o senador afirmou que, para receber o apoio de Bolsonaro nas eleições de 2026, o candidato à Presidência deve não só conceder indulto ao pai dele, mas brigar com o Supremo por isso, se for preciso.
"Estou fazendo uma análise de cenário. Bolsonaro apoia alguém, esse candidato se elege, dá um indulto ou faz a composição com o Congresso para aprovar a anistia, em três meses isso está concretizado, aí vem o Supremo e fala: é inconstitucional, volta todo mundo para a cadeia. Isso não dá", declarou, na ocasião.
O anúncio desta sexta também mantém a extrema direita e a direita sob o comando da família Bolsonaro, em um momento em que parte dos governadores busca protagonismo junto a esse eleitorado.
Na saída da PF, na terça, o senador disse que pediu desculpas para a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), pela briga envolvendo o palanque do PL no Ceará e explicou ao pai a situação. O senador também atribuiu o episódio a um "ruído de comunicação" e disse que Michelle estava no núcleo duro do PL.
No último mês as apostas de aliados de que Flávio seria o nome de Bolsonaro se intensificaram nos últimos meses, quando ele assumiu a linha de frente do ex-presidente nos bastidores políticos e passou a adotar uma defesa pública mais enfática do pai e dura contra o STF (Supremo Tribunal Federal).
A avaliação —que, para alguns, era mais um temor— era que o ex-presidente confia mais em seus filhos e acharia justo manter no clã o espólio eleitoral. Dentro dessa lógica, Flávio seria o nome mais viável.
Por outro lado, o ex-presidente dava sinais contraditórios. Em determinado momento, segundo relatos, ele já chegou a dizer que não quer sua família em cargos do Executivo, por acreditar que seus ocupantes são mais suscetíveis que os parlamentares a supostas perseguições do Judiciário.
Dos filhos, Flávio sempre foi o mais moderado e defendia uma anistia "a todos, inclusive a Moraes". Depois, adotou tom mais crítico e passou a defender o impeachment do magistrado.
Em entrevista à Folha em junho, ele disse que um eventual candidato, para receber o apoio do pai, deve não só conceder indulto a ele, mas brigar com o Supremo por isso, se preciso.
