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PF revela tentativas do Comando Vermelho de influenciar o governo do Rio e o policiamento em favelas
PF revela tentativas do Comando Vermelho de influenciar o governo do Rio e o policiamento em favelas
Por Redação
12/11/2025 às 11:30
Foto: Divulgação/Arquivo
Entre os diálogos analisados, está um que menciona um encontro entre Gabriel de Oliveira, o Índio do Lixão
Interceptações telefônicas da Polícia Federal, realizadas no âmbito da Operação Zargun, revelam tentativas do Comando Vermelho de influenciar o policiamento e buscar “cobertura política” no Rio de Janeiro. As conversas mostram contatos entre integrantes da facção e figuras ligadas ao governo estadual, incluindo um ex-deputado e dois ex-secretários da gestão Cláudio Castro. Segundo a PF, o esquema envolvia pagamento de propina, pedidos de retirada de policiamento de determinadas áreas e articulações para resgatar carros roubados. O relatório da investigação aponta uma “profunda infiltração” do crime organizado em setores do poder público. A informação é do jornal "O Globo".
Entre os diálogos analisados, está um que menciona um encontro entre Gabriel de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como chefe do tráfico em Duque de Caxias — e o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Segundo a PF, o objetivo era pedir apoio político para o grupo. Também foram identificadas tratativas entre Índio e o ex-secretário Alessandro Carracena, que admitiu ter recebido valores, mas alegou que eram honorários advocatícios. As conversas ainda indicam que o Comando Vermelho planejava lançar Índio como candidato a vereador em Caxias, como parte de um projeto de poder local da facção.
Em outro episódio, Índio teria pedido ao ex-deputado TH Joias que interferisse no policiamento da Gardênia Azul, buscando substituir o Batalhão de Choque por PMs locais. O parlamentar teria feito contato com Carracena, então secretário de governo, para intermediar o pedido. Há ainda registros de pagamentos e favores trocados entre os envolvidos. Gutemberg Fonseca nega qualquer reunião com criminosos e afirma que, se houve contato, foi apenas casual. Já as defesas de Carracena e TH Joias alegam que as acusações se baseiam em interpretações equivocadas de conversas e não em provas concretas.
