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Justiça mantém prisão de Vorcaro após audiência de custódia, e defesa apresentará habeas corpus

Justiça mantém prisão de Vorcaro após audiência de custódia, e defesa apresentará habeas corpus

Por Ana Pompeu, Folhapress

18/11/2025 às 19:02

Foto: Reprodução/Arquivo

Imagem de Justiça mantém prisão de Vorcaro após audiência de custódia, e defesa apresentará habeas corpus

Daniel Vorcaro, do Banco Master

A Justiça Federal de São Paulo manteve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso após audiência de custódia nesta terça-feira (18). Ele foi detido pela Polícia Federal na noite de segunda (17), em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. A defesa deve apresentar habeas corpus até o fim do dia para pedir a soltura dele.

Vorcaro está na Polícia Federal em São Paulo e os advogados também pediram que ele seja mantido na carceragem, por questão de segurança. Ainda não houve decisão a respeito do pedido.

A juíza que conduziu a audiência pediu à corporação que informe se há condições para isso e a PF deve responder até o fim da noite desta terça.

Augusto Lima, sócio dele no Master, também foi detido.

A audiência de custódia começou por volta das 16h20 e durou cerca de uma hora.

No momento, a defesa argumentou que não há necessidade de manutenção da prisão já que houve a liquidação do banco e, além disso, que comprovou que tinha uma reunião em Dubai com o fundo que compraria o Master.

Ainda, a equipe alegou que ele está proibido, pela decisão da Justiça Federal, de gerir qualquer fundo ou instituição financeira e as buscas e apreensões em relação a ele já terminaram.

Por fim, os advogados também disseram que o banqueiro tem esposa e filho no Brasil. Assim, a justificativa de que ele poderia fugir não se sustentaria. A defesa diz também é que ele apresentou a rota de voo antes.

Na ocasião, ainda, foi o momento em que o Ministério Público, por sua vez, agregou esse ponto da viagem como um elemento a mais. A decisão não menciona a viagem.

Investigadores ouvidos pela Folha dizem que o jato particular no qual Vorcaro embarcaria tinha como destino Malta, o que reforçaria a hipótese de que ele buscava fugir.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal encontraram desvios bilionários por meio da compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB (Banco de Brasília). O negócio entre a instituição estatal e o banco de Vorcaro foi vetado pelo BC em setembro.

De acordo com investigadores, o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões para salvar o Master sem nenhuma justificativa. O BRB teria repassado recursos para o Master antes do anúncio da intenção de compra, em março. As transferências teriam prosseguido até maio deste ano.

Do valor, R$ 6,7 bilhões seriam contratos falsos e R$ 5,5 bilhões, prêmios (que seria o valor que supostamente a carteira valeria, mais um bônus).

Para os investigadores, houve vazamento da ordem de prisão, assim como da intenção do BC de liquidar o Master. Alertado, Vorcaro teria acelerado a simulação de compra para ter uma justificativa para deixar o país, ainda de acordo com essas pessoas.

A reunião da diretoria do BC que decidiu pela liquidação do Master também ocorreu na segunda. O voto dos diretores é secreto.

A operação, chamada de Compliance Zero pela PF, tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.

Policiais federais cumpriram cinco mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.

Foram presos preventivamente, além de Vorcaro e Augusto Lima, Luiz Antônio Bull, diretor de riscos do banco, Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de tesouraria e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master.

Já os presos temporários são André Felipe de Oliveira Seixas Maia, que é diretor da consultoria Tirreno e sócio da instituição financeira Cartos, e Henrique Souza e Silva Peretto, que também integra a fintech. As empresas foram procuradas, mas ainda não se manifestaram sobre as prisões.

A PF informou que havia cumprido seis prisões e uma ordem de bloqueio em contas de R$12,2 bilhões. Foram apreendidos diversos carros de luxo, obras de arte, relógios e cerca de R$ 1,6 milhão em espécie.

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