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Dólar vai a R$ 5,58 e Bolsa despenca com temores de retaliação tarifária dos EUA após operação contra Bolsonaro
Dólar vai a R$ 5,58 e Bolsa despenca com temores de retaliação tarifária dos EUA após operação contra Bolsonaro
Por Vitor Hugo Batista/Folhapress
18/07/2025 às 17:55
Atualizado em 18/07/2025 às 17:55
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

O dólar encerrou a sessão desta sexta-feira (18) com uma forte alta de 0,75%, cotado a R$ 5,588, na contramão da desvalorização da divisa dos EUA no mercado externo. Na semana, a moeda norte-americana acumula uma alta de 0,75%.
Já a Bolsa despencou 1,62%, a 133.364 pontos, segundo dados preliminares. Na mínima do pregão, chegou a 133.295 pontos, menor patamar intradiário desde 7 de maio, e, na máxima, atingiu 135.562 pontos. Na semana, a perda acumulada foi de 2,07%.
A operação da PF (Polícia Federal) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro gerou apreensão entre os investidores, que temem que isso possa levar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adotar uma postura mais agressiva em relação às tarifas aplicadas ao Brasil.
O movimento do mercado nesta sessão foi norteado pela notícia de que Bolsonaro foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, e terá de usar tornozeleira eletrônica, além de cumprir outras medidas restritivas, informou a assessoria do ex-mandatário, em uma escalada dos problemas enfrentados por Bolsonaro com a Justiça.
Investidores avaliam os potenciais efeitos da operação da PF contra o ex-presidente na disputa comercial entre Brasil e EUA. Há um receio por parte dos agentes financeiros de que Trump possa retaliar o Brasil, ampliando seus ataques comerciais, o que deu força ao dólar ante o real. Na máxima do dia, a moeda chegou a subir 0,93%, a R$ 5,598.
"O ambiente de tensão se eleva, principalmente por nesse imbróglio também estar Donald Trump, que pode reagir à decisão de Moraes", disse o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.
Na perspectiva de Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, existe uma possibilidade real de escalada no conflito após a determinação do STF.
"Até tivemos uma sinalização dos EUA de que poderia haver uma abertura para negociação com o Brasil, a partir da investigação de práticas comerciais brasileiras, mas Trump insistiu em puxar de novo para o centro do debate a questão do Bolsonaro. Ninguém sabe o que a Casa Branca vai faze", disse.
Para Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a postura de Trump de vincular a aplicação de tarifas aos processos judiciais enfrentados pelo ex-presidente traz receios e dúvidas se será possível encontrar uma solução imediata para o problema.
"Ao vincular as tarifas a temas políticos e judiciários do Brasil, fica um pouco mais difícil tentar entender o que o Brasil pode oferecer ou negociar com os EUA para tentar resolver essas discrepâncias", afirmou.
Os investidores também repercutiram as últimas declarações de Lula e Trump sobre a sobretaxa de 50% que será aplicada pelos EUA ao Brasil a partir de 1º de agosto.
Na noite de quinta-feira (17), Lula disse em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão que a decisão de Trump é uma chantagem inaceitável. O petista também criticou políticos favoráveis à sobretaxa, chamados por ele de "traidores da pátria", e disse que todas as empresas, nacionais ou estrangeiras, devem cumprir as regras do país.
Mais cedo, Trump havia mandado uma carta ao ex-presidente Jair Bolsonaro em que diz estar vendo "o tratamento terrível" que o aliado estaria recebendo em "um sistema injusto" que se voltou contra ele. "Este julgamento deve terminar imediatamente!", afirmou Trump em documento publicado na conta da sua rede social Truth Social.
Além disso, uma agenda vazia no Brasil, sem a divulgação de indicadores econômicos, fez o mercado focar em notícias do cenário político interno.
No cenário externo, o foco recente dos mercados globais tem sido a análise do impacto inicial das tarifas de Trump sobre a atividade econômica nos EUA, com dados recentes demonstrando uma certa resiliência da maior economia do mundo.
Na quinta-feira, dados mais fortes do que o esperado para vendas no varejo e uma queda inesperada nos pedidos iniciais de auxílio-desemprego fomentaram a percepção de força da economia dos EUA.
Os resultados afetavam as apostas de operadores sobre o espaço que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) terá para cortar a taxa de juros neste ano, com as expectativas de momento mostrando uma boa probabilidade de o Fed reduzir os juros em setembro, apesar da pressão de Trump por cortes imediatos.
