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Com voto de desempate no Carf, tempo de processos tributários cai para 5,7 anos, diz Haddad
Com voto de desempate no Carf, tempo de processos tributários cai para 5,7 anos, diz Haddad
Por Felipe Gutierrez/Folhapress
21/07/2025 às 21:15
Atualizado em 21/07/2025 às 21:15
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o tempo médio para processos sobre impostos caiu de 8 para 5,7 anos com o voto de desempate no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Ele deu uma entrevista ao ICL Noticias nesta segunda-feira (21).
Em 2023 foi recriado o voto de desempate nos julgamentos do Carf, o que favorece o governo nas disputas tributárias. Antes da recriação, o empate era automaticamente favorável ao contribuinte.
"A média do processo administrativo na Fazenda chegou a 8 anos, e chegava a 18 anos quando contava a esfera judicial. Muito vantajoso para dever para a Receita, vai pagar [taxa de juros] Selic. Criamos uma máquina de inadimplência", afirmou Haddad.
O ministro afirmou que antes da recriação do voto de desempate, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) chegou a mandar uma carta ao Brasil dizendo que a situação feria a concorrência porque favorecia "o mais malandro".
Haddad usou um tom informal na entrevista: ele usou a expressão "a viúva" para se referir à administração federal e afirmou que o Executivo foi "detonado" nos últimos dez anos; ao falar da discussão no Congresso sobre o devedor contumaz, descreveu esse tipo de pessoa como "o famoso pilantra" que "vai abrindo CNPJ" até juntar "uma porção de dinheiro" e ir embora do Brasil.
No fim da entrevista, o ministro foi perguntado sobre quais são os planos para as bets. Ele sinalizou que é a favor de restrições à propaganda, nos mesmos moldes do que acontece com cigarro e álcool, e de diferenciar as apostas esportivas daquelas que são baseadas em jogos eletrônicos.
Ao assumir o ministério, afirmou, havia uma "epidemia posta", e o governo demorou para entender o estado do setor. "O que vamos fazer é levar para a mesa do presidente os dados e tratar isso como um problema de saúde pública sério", disse. No entanto, ele também afirmou que tecnicamente, é muito difícil impedir o funcionamento das bets.
Mais cedo, Haddad deu uma entrevista à rádio CBN e disse que o ministério está trabalhando com diversos cenários para enfrentar a possível sobretaxa de 50% dos EUA, cujo início foi anunciado para 1º de agosto.
Segundo o ministro, a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é clara: o Brasil não deixará a mesa de negociação.
"Estamos preparando alternativas para apresentar ao presidente, mas punir empresas ou cidadãos americanos não está em discussão. Todo e qualquer cidadão americano será tratado com dignidade, e empresas, às vezes com relação centenária com o Brasil, serão tratadas com o mesmo respeito".
