Home
/
Noticias
/
Mundo
/
Justiça ordena que governo Trump traga salvadorenho deportado por engano de volta aos EUA
Justiça ordena que governo Trump traga salvadorenho deportado por engano de volta aos EUA
Por Folhapress
04/04/2025 às 20:11
Atualizado em 04/04/2025 às 20:11
Foto: Reprodução/Instagram

Uma juíza federal dos Estados Unidos determinou nesta sexta-feira (4) que o governo de Donald Trump providencie o retorno de um homem salvadorenho e residente no estado de Maryland deportado por engano para a temida prisão de segurança máxima em El Salvador para onde Washington está enviando imigrantes em situação irregular.
A juíza distrital Paula Xinis, de Maryland, ordenou que o governo Trump peça ao governo de El Salvador a libertação de Kilmar Abrego Garcia, 29, um homem que agentes de imigração dos EUA deportaram por engano para uma mega prisão salvadorenha no mês passado. A decisão emergencial veio após os advogados do homem argumentarem que ele corria risco iminente de morte.
A decisão judicial foi emitida pouco depois de a esposa de Abrego, uma cidadã americana, se juntar a dezenas de apoiadores em um protesto para exigir seu retorno imediato. A família não tem contato com ele desde sua detenção por agentes do ICE, o serviço de imigração dos EUA.
Quando a juíza emitiu sua ordem, apoiadores do lado de fora do tribunal comemoraram. O governo tem até, no máximo, 23h59 da próxima segunda-feira para trazê-lo de volta aos Estados Unidos.
"No dia 15 de março, embora o serviço de imigração e alfândega dos EUA estivesse ciente de que ele tinha proteção contra deportação para El Salvador, Abrego Garcia foi removido para El Salvador devido a um erro administrativo", disseram os advogados do governo.
Essa foi a primeira admissão formal de erro desde o início do governo Trump e de sua política mais agressiva contra imigrantes —que inclui deportações aceleradas, sem ordem judicial, baseadas em uma lei de 1798 criada em contexto de guerra.
A deportação equivocada gerou indignação e levantou preocupações sobre a expulsão de imigrantes que tinham autorização para permanecer nos EUA.
Ainda assim, o governo havia argumentado na terça-feira (1º) que não havia nada que os tribunais pudessem fazer, uma vez que Abrego já não estava mais sob jurisdição americana.
O advogado de Abrego García classificou as alegações do governo como ultrajantes e acusou a administração Trump de ter "lavado as mãos" em relação a ele, sua esposa e o filho do casal —um menino de 5 anos, autista e não verbal, cidadão norte-americano.
A Casa Branca retratou Abrego como membro da gangue MS-13, mas seus advogados afirmam que não há evidências dessa ligação. A acusação se baseia em um informante confidencial que, em 2019, afirmou que ele era membro de uma célula da gangue em Nova York —cidade onde ele nunca viveu.
