Chanceler que negociou acordo de deportação vê desrespeito dos EUA
Por Fábio Zanini/Folhapress
27/01/2025 às 20:30
Atualizado em 27/01/2025 às 20:30
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Responsável por negociar o acordo de deportação de brasileiros com os EUA em 2017, Aloysio Nunes Ferreira, na época ministro das Relações Exteriores, diz que os termos do que foi acertado não estão sendo seguidos pelo governo Donald Trump. Na época, ele tratou diretamente do tema com o então secretário de Estado, Mike Pompeo.
Nunes diz que, enquanto ocupou o cargo, até o final de 2018, não houve relato de maus tratos por parte das autoridades dos EUA contra imigrantes.
"No meu período, as condições de dar tratamento respeitoso e proibir uso indiscriminado de algemas foram cumpridas. Claramente isso não ocorreu agora, pelos relatos que estão surgindo", diz ele, atualmente representante da Apex (agência brasileira de exportação) na Europa.
Nunes, chanceler no governo Michel Temer (MDB), diz que o acordo foi precipitado pela política do primeiro governo Donald Trump de separar crianças imigrantes de seus pais ao chegarem à fronteira, política que gerou grande repercussão negativa na época.
"Houve casos envolvendo brasileiros, e por isso chegamos a esse acordo de serem iniciados voos para trazer aqueles imigrantes que já haviam esgotado as possibilidades de entrar nos EUA", declarou Nunes.
Para ele, o tratamento dado por Trump em seu novo mandato ao tema é preocupante. "Ele se coloca contra a imigração de maneira geral, dentro da ideologia supremacista dele", afirma.
