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Boulos pede ao MPF investigação sobre registro de íris financiado por 'pai do ChatGPT'
Boulos pede ao MPF investigação sobre registro de íris financiado por 'pai do ChatGPT'
Por Fábio Zanini/Folhapress
23/01/2025 às 12:59
Atualizado em 23/01/2025 às 12:59
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) pediu, na quarta-feira (22), ao Ministério Público Federal que abra um inquérito sobre o projeto de Sam Altman (do ChatGPT) para criar uma identidade digital para pessoas a partir da biometria da íris.
Em ofício enviado ao MPF, o parlamentar pede que a instituição "adote providências urgentes para fazer cessar a coleta de dados personalíssimos de cidadãos brasileiros por meio de escaneamento de íris em troca de remuneração financeira pela empresa norte americana Tools for Humanity- TfH".
Conforme mostrou a Folha, o projeto de Sam Altman para criar uma identidade digital para pessoas a partir da biometria da íris viralizou no TikTok na semana passada.
Proibida em parte da Europa, a iniciativa é chamada de rede World e contempla quem aceita ceder a biometria ocular no cadastro. O processo é feito em um computador esférico e prateado —o orb.
O requerimento enviado por Boulos à Procuradoria da República em São Paulo aponta possíveis violações à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, como falta de transparência com possíveis usos dos dados coletados, insegurança em relação a vazamentos e vício de consentimento em razão do caráter monetário da autorização.
A rede World oferece cerca de R$ 700 ao longo de um ano para quem escanear a íris e criar uma identidade digital, mas o processo é irreversível. Até 21 de janeiro, mais de 400 mil brasileiros tinham aderido ao projeto.
O site da entidade indica que os dados biométricos não ficam armazenados na máquina e serviriam apenas para confirmar que se trata de uma pessoa se cadastrando.
"Os cidadãos que estão 'vendendo' seus dados personalíssimos pelo escaneamento de íris desconhecem a 'finalidade determinada' que será dada à essa informação. Além disso, não se pode dizer que tenha ocorrido consentimento por meio de 'manifestação livre, informada e inequívoca' como qualificado pela lei, quando as pessoas apenas aceitaram se submeter ao procedimento pela necessidade material de
receberem uma quantia pecuniária, alheias às verdadeiras intenções dos tomadores dos dados e suas possíveis consequências", diz o documento assinado por Boulos e pelo advogado Ramon Arnús Koelle.
