Advogado no caso dos atos antidemocráticos diz que teme por saúde de preso
Por Fábio Zanini/Folhapress
20/12/2024 às 09:12
Atualizado em 20/12/2024 às 09:12
Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O advogado Sebastião Coelho da Silva critica decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), em relação ao indígena do Pará Helielton dos Santos, que está preso preventivamente há 15 meses no CMP (Complexo Médico Penal), em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
"Não é possível que uma pessoa permaneça presa por fatos ocorridos há dois anos e sem uma conclusão da investigação. O ministro Alexandre de Moraes já negou a liberdade a ele em cinco oportunidades", diz o advogado, acrescentando que teme pela saúde do homem.
Segundo o advogado, Helielton foi diagnosticado "com um quadro depressivo, tomando sete remédios por dia". "Conversei longamente com ele por vídeo na sexta-feira e ele me colocou que a vida perdeu o sentido", afirmou o defensor.
Coelho da Silva é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e tem atuado na defesa de réus suspeitos de participação em atos antidemocráticos.
Helielton se tornou alvo do STF na esteira dos atos antidemocráticos que questionavam a vitória do presidente Lula (PT) nas urnas no final de 2022. Ele é suspeito de praticar crimes como dano qualificado, incêndio majorado, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.
Em uma das decisões em que negou liberdade a Helielton, o ministro do STF argumentou que a restrição excepcional de liberdade é possível "ante a periculosidade social e a gravidade concreta das condutas atribuídas ao investigado" em 12 de dezembro de 2022, em Brasília.
Moraes também mencionou que Helielton foi considerado foragido – a prisão foi decretada em janeiro de 2023, mas ele foi preso apenas em setembro daquele ano.
