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Executivo francês de gigante da cana no Brasil critica acordo entre Mercosul e União Europeia
Executivo francês de gigante da cana no Brasil critica acordo entre Mercosul e União Europeia
Por Marcelo Toledo/Folhapress
24/11/2024 às 17:30
Atualizado em 24/11/2024 às 17:30
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil/Arquivo

O executivo francês Olivier Leducq, presidente do grupo sucroenergético Tereos, que tem forte atuação no Brasil, afirmou ser contrário à aprovação do acordo comercial proposto entre Mercosul e União Europeia e disse que os produtos importados não respeitam os mesmos padrões exigidos pelo país europeu.
Em publicação numa rede social, Leducq afirmou que agricultores franceses estão voltados para a implementação de práticas de agricultura regenerativa e questionou sobre como conseguirão enfrentar a "concorrência desleal" de produtos importados que, em sua avaliação, não cumprem as mesmas normas ambientais e sociais.
A afirmação ocorre num momento em que outro grupo francês, Carrefour, anunciou, também por meio de seu presidente, que a rede não vai mais oferecer carne produzida em países do Mercosul nos seus pontos de venda na França.
A medida gerou uma série de críticas e frigoríficos brasileiros suspenderam o fornecimento de carne à rede varejista e cobram retratação de seu presidente, Alexandre Bompard.
"A produção agrícola francesa deve ser capaz de permanecer competitiva diante dos atuais desafios agronômicos e ambientais, implementando gradualmente as bases da agricultura de baixo carbono. O acordo UE-Mercosul, na sua versão atual, poria em causa esta ambição. Ao lado de nossos cooperadores e dos setores agrícolas franceses, digamos não a um acordo que sacrificaria o futuro de nossos agricultores e de nossos territórios", escreveu Leducq.
O grupo Tereos é um dos principais players do setor de cana-de-açúcar no Brasil, onde atua desde o ano 2000, com 300 mil hectares de área plantada (420,1 mil campos de futebol) e sete usinas para a produção de etanol e açúcar —todas no interior paulista, em Olímpia, Pitangueiras, Guaíra, Severínia, Colina, Tanabi e Guaraci.
Na safra 2023/24, processou 21,1 milhões de toneladas de cana no país, atrás somente de Raízen, BP Bunge, Atvos e São Martinho.
O executivo ainda apelou à França para que mobilize outros países para garantir que o acordo não seja imposto, que os impactos no setor sucroalcooleiro seriam significativos e que a mobilização dos agricultores europeus durante a cúpula do G20 foi forte, mas que a vigilância ainda é necessária.
"Nossos agricultores devem poder viver dignamente de seu trabalho e produzir alimentos de qualidade que respeitem o meio ambiente".
Criticado em comentários por brasileiros envolvidos com o agro, Leducq respondeu a um deles que as preocupações que demonstrou em seu texto não se referiam à qualidade da agricultura brasileira, mas sobre a diferença nos padrões sociais e ambientais entre o bloco europeu e países do Mercosul, inclusive o Brasil.
"Embora a agricultura brasileira cumpra suas regulamentações locais, elas não estão alinhadas com as normas exigentes e caras exigidas para a agricultura da UE e da França", disse o executivo.
O Grupo Tereos, por meio de sua assessoria, informou neste domingo (24) que o comentário de seu CEO global sobre o acordo entre os dois blocos econômicos se referiu exclusivamente à necessidade de uma discussão mais aprofundada sobre as diferenças regulatórias que impactam a competitividade econômica entre os dois blocos comerciais.
"Sob nenhuma hipótese trata-se de um questionamento à qualidade dos produtos ou comprometimento do Brasil e do Mercosul com práticas sustentáveis", diz trecho de comunicado do grupo.
Segundo a empresa, mais de 60% de sua produção total no Brasil é exportada, "respaldada por rigorosas certificações internacionais de qualidade e sustentabilidade socioambiental".
"A empresa segue comprometida com o respeito às normas e legislações locais das regiões onde atua e acompanha atentamente as discussões sobre o tema."
No mundo, o grupo tem 15.800 empregados e fatura 7,1 bilhões de euros (R$ 43 bilhões) nos 15 países em que atua.
