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Petrobras chega à África do Sul em nova estratégia de internacionalização

Petrobras chega à África do Sul em nova estratégia de internacionalização

Por Nicola Pamplona, Folhapress

02/10/2024 às 13:51

Atualizado em 02/10/2024 às 13:51

Foto: Agência Brasil /Arquivo

Estatal adquiriu 10% de bloco exploratório sul-africano e mira operações na Namíbia

A Petrobras anunciou nesta terça-feira (1º) seu segundo investimento em uma estratégia de retorno à África, com o objetivo de diversificar a busca por novas reservas de petróleo seis anos após vender subsidiária que operava no continente.

A operação foi fechada com a francesa TotalEnergies, de quem a Petrobras adquiriu uma fatia de 10% em um bloco exploratório na bacia de Orange, que entrou no foco do setor após descobertas recentes da própria Total, da inglesa Shell e da portuguesa Galp.

No fim de 2023, a companhia já havia anunciado a compra de fatias em três blocos exploratórios operados pela Shell em São Tomé e Príncipe, que também teve descobertas nos últimos anos.

Segundo a estatal, a operação anunciada nesta terça "está alinhada com a estratégia de longo prazo da companhia, que visa a recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior, e atuação em parceria".

O bloco, chamado DWOB (Deep Western Orange Basin), fica em águas profundas, foco da expansão da área de exploração e produção da Petrobras. A empresa já informou que avalia também ativos na Namíbia, outro país com descobertas relevantes nos últimos anos.

O retorno à África é o primeiro passo em uma mudança estratégica na Petrobras após o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sob Jair Bolsonaro (PL), a empresa se desfez de grande parte de suas operações internacionais.

No fim do governo Michel Temer, já havia vendido fatia de 50% na PO&GBV, parceria com o banco BTG que tinha na época operações na Nigéria —antes, chegou a operar também em Angola, Benin, Gabão e na Namíbia.

A companhia mantém seu foco principal no desenvolvimento das reservas do pré-sal, mas avalia que precisa buscar novas áreas exploratórias também no exterior para evitar o declínio de sua produção a partir da próxima década.

A principal aposta nesse sentido são as bacias da margem equatorial brasileira, que se estendem do Rio Grande do Norte ao Amapá, e são hoje alvo de embate entre as áreas energética e ambiental do governo. Também no Brasil, a bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, é outra possibilidade.

A Petrobras se diz confiante com a concessão de licença ambiental para a perfuração do primeiro poço no Amapá, garantindo a abertura de uma nova fronteira exploratória no país, apesar de resistências de ambientalistas.

Ainda assim, a avaliação é que as semelhanças geológicas entre a costa Oeste da África e as principais bacias brasileiras fazem de ativos africanos uma alternativa promissora nesse esforço para reposição de reservas.

"É sabido que Brasil e África estiveram juntos. Então a gente sabe que a geologia se espelha uma na outra", disse na semana passada a diretora de Exploração e Produção da companhia, Sylvia dos Anjos. "Se formos para algum lugar fora do Brasil, a África é um bom lugar."

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