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'Muitas vezes a mulher se vê obrigada a fazer escolhas que prejudicam sua ascensão profissional', diz Ireuda Silva
'Muitas vezes a mulher se vê obrigada a fazer escolhas que prejudicam sua ascensão profissional', diz Ireuda Silva
Por Redação
16/09/2024 às 09:16
Atualizado em 16/09/2024 às 09:16
Foto: Divulgação/Arquivo

A economista Claudia Goldin, ganhadora do Prêmio Nobel de Economia em 2023, levantou questões importantes sobre a desigualdade de gênero no mercado de trabalho em entrevista à Folha de S.Paulo, abordando o conceito de “trabalho ganancioso” e seu impacto nas diferenças salariais entre homens e mulheres. A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, vereadora Ireuda Silva (Republicanos), analisou como os pontos levantados por Goldin refletem a realidade das mulheres em Salvador e no Brasil.
Segundo Goldin, um dos principais motivos para a diferença salarial entre homens e mulheres é a divisão desigual de responsabilidades familiares, especialmente após o nascimento dos filhos. Para Ireuda, isso ressalta como os desafios para a equidade de gênero vão além das questões legislativas e entram em campos culturais e sociais. “Vemos avanços significativos em termos de leis e acesso à educação para as mulheres. No entanto, quando falamos de igualdade salarial, ainda esbarramos nas normas sociais que perpetuam a ideia de que a mulher é sempre a principal cuidadora do lar e dos filhos”, reflete a republicana.
Goldin destaca que a expectativa de que a mulher seja a responsável por assumir empregos mais flexíveis, ou seja, aqueles que permitam cuidar da família, enquanto os homens se mantêm em suas carreiras com maior carga horária e disponibilidade, contribui para a permanência da disparidade de salários. Ireuda concorda e complementa: "A realidade é que muitas vezes a mulher se vê obrigada a fazer escolhas que prejudicam sua ascensão profissional, enquanto o homem é incentivado a continuar crescendo em sua carreira, sem as mesmas pressões".
A vereadora ainda reforça a importância de uma maior conscientização e diálogo dentro das famílias, como sugerido por Goldin, para alcançar uma divisão mais justa das responsabilidades parentais. "Os homens também precisam estar dispostos a assumir mais tarefas domésticas e de cuidado com os filhos, permitindo que as mulheres continuem investindo em suas carreiras. Essa mudança cultural é fundamental", afirma Ireuda.
Para ela, o cenário local também reflete essa problemática. "Aqui em Salvador, vemos muitas mulheres chefes de família que precisam trabalhar em empregos de baixa remuneração ou com horários reduzidos, justamente por terem que priorizar o cuidado com seus filhos. Ao mesmo tempo, são elas que mais sofrem com o desemprego e a falta de oportunidades qualificadas", explica a vereadora, destacando que programas como o Simm Mulher, que ela criou, são ferramentas essenciais para combater esse ciclo.
Por fim, Ireuda Silva endossa o apelo de Goldin para que casais considerem um relacionamento “50-50” em termos de divisão de tarefas e carreiras. "A equidade dentro de casa reflete diretamente na equidade no mercado de trabalho. Quando mulheres e homens compartilham responsabilidades de forma igualitária, ambos podem crescer profissionalmente, e a sociedade, como um todo, se beneficia", conclui.
