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Cenário eleitoral de Itabuna tem palanque inusitado, traumas do passado e ferida aberta para 2026
Cenário eleitoral de Itabuna tem palanque inusitado, traumas do passado e ferida aberta para 2026
Por Política Livre
01/09/2024 às 17:46
Atualizado em 01/09/2024 às 17:46
Foto: Divulgação/Prefeitura de Itabuna

A cidade que não costuma reeleger seus prefeitos está diante de uma disputa embaralhada entre cinco candidatos: Augusto Castro (PSD), Fabrício Pancadinha (Solidariedade), Chico França (PL), Isaac Nery (PDT) e Professora Cleonice Monteiro (Rede).
Líder nas pesquisas, o prefeito Augusto Castro tenta quebrar o tabu histórico para conseguir o feito inédito do segundo mandato seguido. Tem a seu favor o poder da caneta e a aliança com o Partido dos Trabalhadores e com o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que só foi conquistada depois de um processo traumático que terminou por abortar a candidatura do ex-prefeito Geraldo Simões - quadro de destaque do PT na cidade.
Mas pesa contra Castro a alegação de que “abandonou a cidade por três anos” e só reapareceu há um ano das eleições.
O deputado estadual Pancadinha surge como a segunda força, embora já tenha figurado como líder nas intenções de votos ainda na pré-campanha. É o principal nome de oposição e tem forte inserção entre o eleitorado de comunidades mais pobres.

O deputado estadual Pancadinha
Visto como neófito na política, Pancadinha conta com o apoio de ACM Neto (União Brasil), que foi o mais votado em Itabuna na disputa pelo governo do Estado em 2022 e agora empresta seu prestígio para convencer eleitores de outras classes arredios quanto a um eventual governo de Pancadinha.
Quem também entrou na campanha foi Geraldo Simões, compartilhando o mesmo palanque com o principal opositor ao governador Jerônimo na Bahia, que é ACM Neto.
Chico França, filiado ao partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, é engenheiro e empresário bem-sucedido no ramo imobiliário e corre como uma terceira via para o eleitor que quer manter o veto histórico à reeleição, mas não votaria em Pancadinha.

Chico França é filiado ao partido de Bolsonaro
De perfil técnico, ele se move para além da fatia bolsonarista apresentando propostas objetivas, como a de despoluir e revitalizar o rio Cachoeira e acabar com o “asfalto sonrisal” em Itabuna.
É dele também a crítica sobre a atuação do prefeito Augusto Castro durante as enchentes de 2022, apontando, inclusive, que faltou ao gestor capacidade para utilizar R$ 83,6 milhões enviados pelo governo Bolsonaro para a reconstrução de 697 casas para as vítimas da tragédia naquele ano.
Os candidatos Isaac Nery (PDT) e Professora Cleonice Monteiro (Rede) pontuam abaixo dos dígitos e marcam posições de suas legendas.

Isaac Nery (PDT) Professora Cleonice Monteiro (Rede)
O ex-prefeito Capitão Azevedo chegou a ser ventilado como pré-candidato pelo União Brasil e passou semanas namorando a possibilidade de composição com Pancadinha, numa mediação feita por ACM Neto. A operação não foi adiante e ele não oficializou a candidatura. A expectativa de momento é para qual candidato ele pretende declarar apoio.
Traumas do passado e feridas abertas para o futuro
Apesar do apoio oficial do governador, o PT não desembarcou unânime na campanha de Augusto. A avaliação entre integrantes da sigla é que o prefeito não trabalhou o quanto poderia para ajudar Jerônimo no primeiro turno de 2022, daí a parcial indisposição com o pessedista.
Olhando para 2026, há também um ponto de interrogação se Castro manterá fidelidade ao chefe estadual, caso vença a eleição.
“Se Augusto perder, no dia seguinte ele tá na oposição”, disse um analista político da cidade em conversa com este Política Livre.
Há também incerteza sobre como Geraldo Simões se posicionará na próxima eleição estadual, já que não teve agora o apoio que esperava do governador Jerônimo.
