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Câmara aprova projeto que flexibiliza licitações em casos de estado de calamidade no país

Câmara aprova projeto que flexibiliza licitações em casos de estado de calamidade no país

Por Victoria Azevedo/Folhapress

18/09/2024 às 19:25

Atualizado em 18/09/2024 às 19:25

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Plenário da Câmara dos Deputados

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (18) um projeto de lei que flexibiliza as regras de licitações para compras e contratações de serviços em casos de calamidade pública. O texto vai agora à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De autoria do líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), a proposta incorporou conteúdos de medidas provisórias (MP) do Executivo como resposta às enchentes no Rio Grande do Sul.

O projeto permite que o Executivo e os governos municipais e estaduais possam adquirir bens e contratar obras sem licitação em situações de calamidade pública (oficialmente reconhecidas). O texto também prevê que esses contratos firmados poderão ser prorrogados por, no máximo, um ano, contados da data de encerramento.

Além disso, a proposta possibilita que sejam firmados contratos verbais, desde que o valor não ultrapasse R$ 100 mil, nas hipóteses "em que a urgência não permitir a formalização do instrumento contratual". Esses contratos, contudo, deverão ser formalizados em até 15 dias, sob pena de nulidade.

O projeto também autoriza o governo federal a conceder subsídios no valor total de R$ 3 bilhões às microempresas e empresas de pequeno porte, além de produtores rurais que tenham sofrido "perdas materiais" nas áreas afetadas pela enchente no estado.

O desconto será dado em operações de crédito que forem contratadas até o fim deste ano por meio do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e do Pronamp (Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural).

A proposta foi aprovada na Câmara em agosto, e pelos senadores no começo deste mês. Como houve mudanças, o texto precisou ser analisada novamente pelos deputados.

Nesta quarta, num plenário esvaziado (já que a votação era virtual), os deputados discutiram as emendas que foram apresentadas pelos senadores. Uma delas, que tratava da obrigatoriedade de empresários em manter empregos para ter acesso a condições de juros em linhas de crédito, gerou discordância entre parlamentares da oposição e governistas.

O trecho previa a obrigatoriedade da manutenção de empregos de funcionários para que empresas tivessem acesso a linhas de crédito voltadas a apoiar "ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e de enfrentamento às consequências sociais e econômicas de calamidades públicas".

Caso essa obrigatoriedade não fosse mantida, os empresários perderiam as condições das taxas de juros previstas na linha de financiamento e teriam de pagar esses encargos de forma retroativa e "a preços do mercado".

Deputados da oposição disseram que essa mudança proposta pelos senadores criava "uma obrigação inexequível" aos empresários e representava um "presente grego". "Existe um problema sério nessa emenda. Ela pode trazer muita dificuldade e grandes prejuízos para os empresários que sofreram com a catástrofe", disse a deputada Bia Kicis (PL-DF).

"Eles têm muita resistência na manutenção dos empregos, eles não têm qualquer tipo de olhar para as pessoas que estão desempregadas e com suas vidas também destruídas", rebateu a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Com a sessão em curso, foi firmado um acordo de ajuste à emenda, permitindo que essa obrigatoriedade de manutenção dos empregos valha a partir do momento em que a empresa firmar a contratação da linha de crédito.

Outra mudança a essa emenda foi feita ao tratar das consequências de descumprimento da cláusula de manutenção de emprego. Pelo texto aprovado, não serão mais cobrados encargos retroativos, mas, sim, a valer da data da demissão dos funcionários para as parcelas futuras.

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