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Governo pede ao STF mais 45 dias para acordo com Eletrobras sobre participação da União

Governo pede ao STF mais 45 dias para acordo com Eletrobras sobre participação da União

Por Lavínia Kaucz/Renan Monteiro/Estadão

01/08/2024 às 19:31

Atualizado em 01/08/2024 às 19:31

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

Eletrobras

O governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), protocolou nesta quinta-feira, 1º, no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para prorrogar por mais 45 dias o prazo para a tentativa de conciliação com a Eletrobras na ação que discute o poder de voto da União no conselho da empresa.

“Embora seja possível afirmar que as tratativas estão em fase conclusiva do processo conciliatório, é necessário reconhecer que a complexidade intrínseca do caso exige a discussão e a finalização minuciosa de alguns pontos cruciais”, disse o ministro da AGU, Jorge Messias, na petição.

O pedido será analisado pelo relator do caso, Kássio Nunes Marques. O prazo já foi prorrogado duas vezes, por 90 dias cada, desde dezembro. No ano passado, a AGU ingressou com uma ação no STF alegando que, embora o governo tenha 43% do capital da Eletrobras, há sub-representação no conselho e prejuízo ao Estado.

Eletronuclear

O governo Lula negocia trocar parte das ações que tem na Eletrobras para assumir o controle total da Eletronuclear. A venda de ações da União na Eletrobras deve ficar entre 1% a 2%, segundo interlocutores do governo ouvidos pela reportagem.

O acordo está no ajuste fino e tem no escopo central a participação da União no Conselho Administrativo da empresa privatizada em 2022. A avaliação é que ambas as partes estão dispostas a ceder nas negociações.

A Eletrobras não tem interesse na Eletronuclear, por sua “estratégia” de energia renovável, apurou a reportagem. A energia nuclear, que tem um urânio na cadeia de suprimento, não é considerada renovável.

Outorga

Além do número de conselheiros, a União deseja que a Eletrobras antecipe parte dos R$ 32 bilhões que deverão ser pagos pela empresa ao longo de 25 anos a título de outorga. A demanda é que a empresa antecipe cerca de R$ 26 bilhões, sendo uma parte neste ano e outra no ano que vem. Durante o governo Jair Bolsonaro, no ato da privatização, a empresa antecipou R$ 5 bilhões.

O Ministério de Minas Energia espera usar esses recursos para reduzir a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que reúne subsídios que encarecem a conta de luz. O governo baixou uma medida provisória em abril prevendo, entre outras medidas, a autorização para que esse valor fosse antecipado por meio de uma operação de mercado (securitização) – mas essa iniciativa não avançou.

Nesta quinta-feira, 1º, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o processo para a securitização pode ser iniciado independentemente do fechamento do acordo com a empresa sobre o número de cadeiras no Conselho. “Estamos andando para a securitização em paralelo ao acordo”, declarou o ministro em conversa com jornalistas.

As negociações em andamento estão centralizadas em três temas: a participação da União nos Conselhos de Administração e Fiscal da Companhia; a antecipação de recursos devidos à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE); e venda de ações da Eletrobras para o controle total da União na Eletronuclear.

O ministro Silveira não confirmou o número de cadeiras no conselho, que tende a ficar em três, segundo interlocutores. A pretensão, disse o ministro, é ter proporcionalidade com o número de ações do governo na Eletrobras, em 43%. Para ele, a Eletrobras era a empresa que a União “tinha um braço” no setor elétrico, ao criticar o processo de privatização.

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